"O Cão Vermelho", de Louis de Bernières (Edições ASA)
Sinopse:
Depois de Milu e Rantanplan, há que integrar o protagonista desta história no panteão canino. Na senda de La Fontaine, Louis de Bernières escreveu uma fábula enternecedora com um protagonista inesquecível: um cão sem morada ou destino fixos, apaixonado pela liberdade e pelos espaços amplos, um nómada louco por aventuras que não gosta de vínculos ou constrangimentos. De facto, O Cão Vermelho está longe de ser um cachorrinho mimado; ele é fedorento, impulsivo, independente… e tem a característica muito especial de tocar as vidas de todos os que encontra no seu caminho.
Opinião:
Logo na primeira página, devo ter-me rido umas três ou quatro vezes.
Este foi, sem dúvida, um livro que me deixou bem disposta desde o início e que ao longo de todas as suas (poucas) páginas me deixou com um sorriso nos lábios.
Para amantes de cães, para amantes da natureza e para quem gosta de um livro bem humorado, esta é uma leitura deliciosa.
A escrita está em total harmonia com o estilo da história, mas também demonstra um certo "distanciamento", que mais para o fim do livro faz com que certas cenas não sejam tão emocionais como poderiam ter sido. O que não quer dizer que seja mau, porque está de acordo com o resto da narrativa, mas pareceu-me que poderia ser melhorado nesse ponto.
Este é um livro com várias personagens, e embora conheçamos certos aspectos curiosos de quase todas elas, tudo fica muito superficial. Apenas o cão vermelho nos é retratado com mais profundidade, o que parece lógico, tendo em conta que ele é o centro da história.
Em suma, um livro que se lê de uma assentada (eu li em duas, mas isso é outra história), com passagens episódicas e baseado em histórias verídicas. com descrições bem conseguidas da Austrália, e que nos deixam com vontade de visitar o continente. Este livro fez-me rir e fez-me chorar, e embora o tinha lido emprestado, assim que tiver oportunidade irei comprá-lo para o ter na minha estante e ler quando estiver a precisar de soltar umas gargalhadas.
Tradução (Isabel Alves):
Impecável! Não notei nenhum erro, nem nenhuma frase que não fizesse sentido no nosso bom português.
Capa (Alan Baker) e Design:
A capa está muito viva e apelativa, evocando todo o ambiente do livro. O interior do livro está um autêntico deleite. Tanto quanto à escolha do papel (amarelado) como pelas maravilhosas ilustrações que acompanhavam todos os capítulos, e as pequenas gravuras no canto superior de cada página. Tudo em tons de preto, vermelho e laranja. Um mimo!
