Por José Leonardo Ribeiro Nascimento

24/08/2010

Terminei.

Um estudo interessantíssimo, que viaja pela psicologia, literatura, estética, sociologia, política e filosofia.  Um dos objetivos principais do livro é refletir sobre o seguinte:

“O dilema da autoridade em nossa época, o medo peculiar que ela inspira, está em nos sentirmos atraídos por figuras fortes que não cremos serem legítimas. A simples existência dessa atração não é uma peculiaridade do nosso tempo; os círculos intermediários do inferno de Dante estão povoados de pessoas que amavam a Deus mas seguiam Satanás.”

O autor lança diversas teorias e classificações, baseado em estudos de caso e opiniões de grandes pensadores das mais diversas áreas. Refletindo sobre os líderes autoritários, assim ele se manifesta, trazendo à minha mente algo muito próximo da realidade brasileira:

“Apelando para as virtudes da simplicidade, os líderes autoritários tentam destroçar ou abandonar a máquina comum de governo, a fim de poderem governar unicamente pela força de sua personalidade.”

Para encerrar o livro, o autor apresenta a história do Grande Inquisidor e Cristo, presente em os Irmãos Karamazov, de Dostoievski. Jesus voltou e está curando as pessoas, e o Grande Inquisidor o prende acreditando estar a serviço do próprio Cristo. As pessoas não querem ser livres, elas não saberiam o que fazer com a liberdade – encontrariam o seu próprio fim. Querem, todavia, acreditar que querem ser livres. Precisam ter a liberdade como constante meta, sem que jamais a possam alcançar. Lança então a sua conclusão, ao associar a autoridade à ideia de ilusão:

“A própria autoridade, no entanto, é intrinsecamente, um ato de imaginação. Não é uma coisa; é uma busca de solidez e segurança na força de outrem, que parece ser algo grandioso. Acreditar que tal busca possa ser consumada é, de fato, uma ilusão, e uma ilusão perigosa. Só os tiranos dão conta desse recado. Mas acreditar que a busca não deve ser conduzida é igualmente perigoso. Nesse caso, tudo o que houver será absoluto.”

14/08/2010

Do resumo contido no verso da edição que comprei, da Editora Record:

“A necessidade de autoridade é fundamental? Como os adultos se realizam ao se tornarem autoridades? Por que clássicos de Homero, Shakespeare, Dostoievski, Kafka e boa parte da literatura versam sobre o enfraquecimento da autoridade? Por que abrimos mão de nossa liberdade e nos tornamos dependentes de figuras autoritárias? Richard Sennett investiga o medo da autoridade, os arquétipos que o inspiram, e explora as melhores imagens de autoridade que deveriam existir em nossos horizontes.”

Gosto de ler. Gosto de literatura. Bastante.  E gosto da área da sociologia e da política. E quando vi que o autor, do alto de sua cultura, cita incessantemente diversos clássicos da literatura, meu interesse pelo livro aumentou consideravelmente.

Uma frase do livro sobre a psicologia social (ótima para os fãs da literatura):

“Uma censura comum é que se pode aprender mais sobre a complexidade das motivações e da percepção recíproca em um romance razoavelmente bom do que numa “sólida” pesquisa das ciências sociais.”

Estou bem no começo. Ao final coloco minhas considerações sobre o conteúdo da obra.