por talesforlove, em 31.12.22

Hoje apresenta-se um poema da escritora Maria Coquemala o qual faz parte do seu novo livro “Assim caminhamos” pela Editora Porto de Lenha (contacto: editora@portodelenha.com.br). Eventualmente, por estar “em destaque” na contra capa desta obra, podemos imaginar que este é um poema que transmite algo mais romântico e metafísico da poeta e que esta faz questão em partilhar com quem lê a sua poesia. Trata-se de pura especulação; que cada um imagine o que bem entender. Recorda-se que é da mesma autora o livro que se oferece ao 1º classificado do Concurso Literário Internacional Natureza 2022.

Infinitude

Tenho a idade de todos os tempos.

Vivi centenas de diferentes vidas.

Fui alga se dividindo, multiplicando.

Fui macaca entre as árvores pulando,

embalei-me com a música do vento

nos cipós da floresta antiga.

Fui arrastada à caverna por um elo darwinista.

Fui escrava, fui rainha, fui amante.

                Sou a que chorou as mais doridas lágrimas,

                quando para sempre partiram os que eu amava.

                O Réquiem de Mozart os traz de volta.   

                A saudade me leva a antigas paragens

                da infância e adolescência, às núpcias, aos filhos,

                aos amigos, parentes e irmãos,

                em momentos para sempre inesquecíveis.

Mágoa e alegria, esperança e frustração

se sucedem alternando-se no tempo.

Sou o espírito que não morre.

Sou a que foi, é e será para sempre.

Aqui também fica a referência ao trabalho de arte visual do autor do blog, disponível por donativo para que seja possível investir em pequenos projetos amigos do ambiente que o próprio desenvolve. No contexto deste blog também é possível a crítica literária a novas obras.

Até breve.