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Jun11
Maria do Rosário Pedreira
Os Portugueses têm uma certa tendência para o derrotismo e para a preguiça – e muitas vezes preferem dizer simplesmente mal das coisas a lutarem para que estas, decididamente, melhorem. Quando há uns meses estive em Cabo Verde para fazer o lançamento de O Novíssimo Testamento, o seu autor, Mário Lúcio Sousa (que é, actualmente, o ministro da Cultura daquele país) contou-me que, na sua pátria, se passa exactamente o contrário. E partilhou comigo uma história de dois amigos que tinham de apanhar diariamente um transporte numa paragem à torreira do sol e que não descansaram enquanto o governo não lhes arranjou um telheiro para se abrigarem. Chegados nesse dia à paragem ficaram contentíssimos com aquela conquista. Porém, no dia seguinte, um deles logo se queixou: «Eh, nem puseram bancos...» Tenho a certeza de que, por esta altura, já lá estão os bancos – e é bem possível que uma máquina de refrigerantes também.