Fosse qual fosse o vinho, a única certeza é que não era igual aos seus vizinhos. O conteúdo daquela garrafa que o Conde tinha na mão era fruto de uma história tão singular e complexa como a de um país, ou de um indivíduo.
Através da sua cor, do seu aroma e sabor, exprimiria certamente geologia idiossincrática e o clima prevalecente da sua terra. Mas, além disso, exprimiria também os fenómenos naturais do seu ano de vindima. Um só gole evocaria o momento em que ocorrera o degelo nesse inverno, o índice de precipitação estival, os ventos predominantes e a frequência das nuvens.
Sim, uma garrafa de vinho era a destilação suprema de tempo e lugar; uma expressão poética da individualidade em si.
Um Gentleman em Moscovo, de Amor Towles, Dom Quixote 2017
