Fotografia da minha autoria

é na lei da distração

da qual o meu dialeto é fluente

que encontro o que nem sabia querer

procurar para viver

não sei se esteve sempre ali, à espreita

à minha espera, do meu tempo condicionado

mas cheguei e pareceu-me estar a regressar

ao que se estende de mim

sem que nunca tivesse sido meu

acho que o silêncio sempre falou demasiado

alto, assertivo, para sustentar o riso

ou o choro ofegante

mesmo quando não o quis ouvir

ou simplesmente não soube

perdendo-me na divagação de um mundo alado

inexistente

uma cadeira vazia, testemunha da passagem

das horas que libertei de mim

talvez haja beleza no que não sei pronunciar

ainda que ande distraída

à procura

sem saber por onde seguir