02
Jan24
Maria do Rosário Pedreira
Ora sejam bem-vindos a este espaço dedicado aos livros neste novo ano de 2024, que vai ter mais um dia do que o anterior (todos os nascidos a 29 de Fevereiro podem finalmente festejar o aniversário). E, como sempre, falemos do que andamos a ler neste primeiro dia útil do mês. Por certo já aqui devo ter dito que uma das melhores surpresas que tive na minha vida de leitora foi um romance de estreia excepcional chamado A Solidão dos Números Primos, do italiano Paolo Giordano. Quanto a mim, nenhum dos livros seguintes do autor igualou o primeiro em qualidade, mas leio neste momento o mais recente, Tasmânia, que vem referenciado como um dos melhores livros do ano em Itália. Começa em Paris, em 2015, pouco depois dos atentados que vitimaram uma série de jovens que assistiam a um concerto, e, na parte em que vou, atravessa o ano de 2018 na cidade de Roma (mas já vi ao folhear que vai até 2021); somos levados pela mão de um narrador que gostaria de ser pai (mas Lorenza, a mulher, já tinha um filho do casamento anterior) e que, tendo estudado Física (como o autor), se dedica sobretudo ao jornalismo e a escrever um livro sobre um tema de que já ninguém quer ouvir falar (a bomba atómica). As personagens secundárias (um cientista especializado em nuvens, um colega de curso, uma activista climática, um padre que se apaixona por uma miúda), são todas muito bem desenhadas e bem actuais, exactamente como os temas que se vão cruzando e que não deixam de lado algumas injustiças causadas pelo politicamente correcto e pelas questões da paridade. Veremos onde é que isto vai dar. A tradução é de Vasco Gato.