03

Jan24

Maria do Rosário Pedreira

Recebi um postal de Natal maravilhoso de uma amiga editora, especialmente indicado para leitores furiosos. Diz qualquer coisa como «O meu presente de Natal és tu», mas logo abaixo acrescenta numa letra mais pequena: «Estava a brincar; tem de haver pelo menos alguns livros no sapatinho.» Sim, imagino que para os leitores deste blogue tenha havido muitos livros no sapatinho, alguns repetidos, suspeito, porque quando estamos demasiado a par do que vai saindo por vezes é difícil não nos darem livros que já temos. Comprei uns quantos títulos, eu também, para eu ou a minha mãe oferecermos a cunhadas, sobrinhos, uma irmã e amigos. Quase todos eram livros que eu própria desejava que me oferecessem, mas não tive grande sorte: não recebi de presente um único desses romances (aquele com que estava mais curiosa vou ter mesmo de o comprar; tratava-se de Não Tenho Casa Se Esta não For a Minha Casa, de Lorrie Moore). Não me deram, de resto, senão um livro (um apenas, raios!), porque, lá está, devem pensar que estou fartinha de livros por causa do trabalho e quero é camisolas, colares, discos, perfumes, velas e objectos para a cozinha (deram-me uma caixa nova para o pão, o que foi óptimo, porque a antiga estava partida, mas não foi surpresa porque fui eu a avisar que precisava de uma). Enfim, recebi, feliz da vida, o livro do astrofísico Hubert Reeves sobre flores silvestres, o que pode parecer estranho, mas a verdade é que interesso verdadeiramente por botânica, embora prefira árvores a flores. (Amanhã então falarei deste belo Eu Vi Uma Flor Selvagem, que é belíssimo.) E os senhores Extraordinários, que livros vos deram?