09

Jan23

Maria do Rosário Pedreira

Sempre que se avizinham tempos de crise, a cultura leva a primeira talhada. As famílias com filhos vêem chegar a inflação e não podem, claro está, poupar na roupa e na alimentação da prole, esforçam-se também por garantir o pagamento da renda ou da prestação da casa ao banco, não vá o diabo tecê-las e ficarem no olho da rua; mas livros, filmes, espectáculos de dança ou teatro, mesmo concertos, têm de ficar adiados para o fim da crise e do consequente aumento disparatado dos preços (que em certos casos é só um aproveitamento escandaloso da situação). Nos tempos difíceis, a cultura é sempre a mais afectada, e portanto devia ser obrigação do Estado tornar a televisão e a rádio públicas mais culturais, com programas que estimulassem a curiosidade, a leitura e a audição de artistas de qualidade. Mas nem sempre é assim e as audiências são normalmente o que impera... Este ano, e ainda estamos no início, a Antena 1 já cancelou o programa Biblioteca Pública, conduzido pela jornalista Fernanda Almeida (com Dulce Maria Cardoso, Richard Zimler e Afonso Reis Cabral) e a Sociedade Portuguesa de Autores acabou com Original é a Cultura, no qual Cristina Ovídio conversava com Dulce Maria Cardoso, Rui Vieira Nery e Carlos Fiolhais (e que já só transmitiam às duas da manhã, desgraçadamente, mas poderia ser visto no dia seguinte). Será um prenúncio do que aí vem?