(...) «A turma dos escafandros passou adiante, ladeando o plinto monumental, donde os símbolos esculturais haviam voado como folhas de Outono na ventania. E, em face, na penumbra, avultaram em tenaz os dois braços do palácio, no transe de bela e grande ruína atacada já da carcoma.

Cobria aquelas lajes a soturna poeira da morte: tíbias, crânios de homens e de cavalos, farrapos desfigurados de estátuas, boucelos de cornijas. Num esquare erguiam-se ainda esqueletos de árvores lívidas e imóveis numa altitude espectral de zinco. E, nas pernadas, entre as medusas entorpecidas, as aranhas do mar descreviam requebros ligeiros. Um enorme autobus estava ali ao pé, quase intacto, misterioso, e ao volante viam-se ainda falanges descarnadas que se crispavam. Estava a derruir o pavilhão Denon. Uma barricada de destroços tolhia o acesso do vestíbulo e, sobre a aresta das suas paredes esbarrondadas, peixes fantásticos, em rodopio, fustigados pelos feixes luminosos dos projectores, moviam-se num arraial feérico de cores.

No pavilhão Daru, a Sala dos Prisioneiros Bárbaros não era mais que um montão de escombros, envoltos no cobrejão lucilante dos campos de coral. Do pragal assolador apenas emergia, aparição de quietude, a cabeça de Minerva.» ...

(continua)