José Reinaldo do Nascimento Filho
O falecido Mattia Pascal é o segundo livro que eu li (se eu não estiver enganado), no qual a personagem principal, narrando a sua historieta, nos apresenta, logo nas primeiras páginas, a promessa de quê a sua história de vida, por ser tão pouco crível, precisa, impreterivelmente, ser contada e conhecida de todos (o primeiro lido por esse que escreve foi o dispensável Diário do Farol, de João Ubaldo Ribeiro).
O livro narra as desventuras de Mattia Pascal, um jovem de família bem sucedida, rica, que, após a morte do patriarca, perde tudo, fica miserável. A família, que já era rabugenta por natureza, aprimora-se nisso, transformando-se nuns perfeitos selvagens.
Mattia casa. Da união, nascem duas filhas. Elas morrem. Uma no parto; outra, depois de um ano e meio. O pobre fica sem rumo (Um homem sem planos, diria meu Pai). Resolve, então, abandonar tudo e viajar por aí, gastando tudo que lhe restava em cassinos (o que me fez lembrar O Jogador, de Dostoievski).
Arrependido, volta para casa – só que dessa vez com uma quantia considerável em dinheiro. No caminho, fica sabendo de uma notícia que mudará a sua vida para todo o sempre. No jornal está escrito mais ou menos assim: Mattia Pascal foi encontrado morto. Suicídio.
E aqui começa a história.
Esse início do livro é realmente muito bom e gratificante. Prazerosa a leitura. O formato simples da narrativa. Sem rodeios. Enfeites. Nada. Mas o desenrolar… Cristo, o romance fica muito lento, filosofia pura, cenas pouco engraçadas e interessantes. O autor procura fazer uma análise da sociedade e dos seus entraves e das obrigações e da liberdade. Em suma, para o italiano, três são os pilares que sustentam o tecido social – tanto para o bem quanto para o mal: dinheiro, família e fé.
O corpo do texto, o bojo, o desenrolar da ação é permeado de diversas situações que brincam com essas três palavrinhas supracitadas. Um pouco de ironia, crítica, sátira aqui e ali… Humm… Todavia, apesar dos momentos satíricos muito bem contados, o que acontece, as cenas em si, não é interessante (em minha opinião, claro). Não prendem a atenção. São maçantes (Vide o momento no qual o autor escreve sobre o espiritismo, por exemplo). Enfim, o texto não é homogêneo.
Nesse sentido, posso dividir o livreto assim: Muito bom, mediano, regular, mediano, muito bom.
Ps: Está difícil encontrar um texto que consiga ser tão homogeneizado quanto foi o de Marçal Aquino.
