Arrabal, 345 páginas, é da Giostri.

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Arrabal é o nome artístico de Giuseppe … , membro da pequena nobreza napolitana no começo do século 18. Ele comanda uma trupe de teatro que encena commedia dell’arte na cidade, junto à qual ele representa o arlequim, com uma máscara que reluta em tirar do rosto (“máscaras” são um tema do livro). Muito pobres, os atores estão sempre precisando remendar suas roupas e arranjar alguém que lhes ofereça uma refeição, mas são caracterizados como sempre alegres e entrosados.

É na procura por roupas que Arrabal conhece Vittoria, uma marquesa com pendores artísticos que acaba renunciando à vida luxuosa porém fútil que levava e se juntando à companhia.

Durante uma apresentação na praça da cidade, uma outra moça nobre, Luigia, filha de um conde, se apaixona por Arrabal. O problema é que o pai já prometeu sua mão em casamento para Giordano, que por coincidência vem a ser justamente o… irmão gêmeo de Arrabal! Isso mesmo, Giuseppe e Giordano são irmãos gêmeos, idênticos fisicamente porém muito distintos em personalidade (como não poderia deixar de ser) — muito sério e retraído, Giordano ganha a vida como oficial do exército.

Arrabal está se dedicando a levar para a Itália um teatro diferente da commedia dell’arte. Enquanto esta é baseada em máscaras, improvisação e humor físico, ele quer peças como as de Molière e Shakespeare, com uma história única, sobre personagens mais realistas e utilizando diálogos bem decorados. Enquanto isso, Giordano está se preparando para uma guerra que se aproxima. Os dois estão apaixonados pela mesma mulher e ela não sabe o que fazer, pois ama ambos.

Não sou historiador, mas o romance parece ser uma ótima reconstituição de época, uma oportunidade para o leitor ter contato com um recorte da vida na Itália do século 18: a comida, os santos, as expressões, as roupas, etc. O enredo é leve e tem suas idas e vindas — girando principalmente em torno de interesses românticos, mas também há algumas batalhas —, que garantem boa dose de entretenimento.

Por outro lado, está baseado em recursos narrativos um tanto manjados: irmãos rivais disputam mulher, moça rebelde rejeita o casamento arranjado pelo pai, a nobreza de alma do artista pobre, etc. Bem escrito, mas num clima meio de novela das seis. Infelizmente, a autora opta por um plot twist final tão inverossímil que requer um epílogo explicativo.

Uma machadada.

(lembrando que livro sem machadada é ótimo, uma machadada é bom, duas é fraco e três é muito ruim)

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