Mariana M. Braga
Na Commedia dell’arte, o Arlequim era o personagem que divertia o público nos intervalos dos espetáculos. Com o tempo ele fez parte de diversas lendas e, no nosso país, ganhou muito mais espaço no carnaval. Além de carnavalesco, Arlequim é galanteador, malandro, sedutor, mas também conta com toques de tristeza e desilusão. Nesse clima Bernardo Bravo apresentou o show do disco Arlequim no Teatro Paiol no dia 05 deste mês, com convidados que contribuíram para um belo contar de sonhos: Bruno Piazza, no piano, as cantoras Amanda Pacífico, Uyara Torrente – d’A Banda Mais Bonita da Cidade – e a atriz Mariana Barros.
As músicas falam de amor, de sonhos, de cangote, de Curitiba, de paixão, de saudade. A atmosfera arlequinesca se mescla com aquele arrepio gerado pelas músicas que falam um pouco de todo o mundo que está sentado na plateia. É íntimo por si só e o Paiol contribui para uma ainda maior intimidade. As canções parecem sussurros e os sentimentos despertados por elas, segredos. O espectador relaxa com a presença frequente da Colombina, vivida pela atriz Mariana Barros em cenas de humor. Tudo fica afinado com talentos no piano, nas vozes, na atuação. O show foi ensaiado, mas parece ser executado sem regras, sem rigor. Os artistas estão livres no palco, improvisos acontecem e isso deixa tudo mais bonito.
Arlequim é música, teatro e poesia.
Ouça aqui para sentir um gostinho: https://soundcloud.com/bernardo-bravo/07-coisado

