Storyteller Dice // Lábios de Veneno | Entre Margens
poesia lírica contemporânea, sofrimento amoroso, luto afetivo, solidão existencial
Fotografia da minha autoria «Não encostei meus lábios em sua boca» Os teus lábios fel Cor de veneno salgado Roxo como o sangue que me corrói Endoideci de desejo Perdi o enlaço são da minha alma E caí na tentação de te sentir São os meus lábios Puros e desabitados Quem clama a tua presença Mas tu não te deitas ao meu lado Ris e provocas-me calafrios E eu caio na tua teia Tecida a loucura Entregue à tua ausência Choro a cinza desfeita Da tua figura fugidia Que um dia soube amar São os teus lábios O meu doce veneno A minha morte lenta Em lágrimas Que não te cobrem o rosto Mas que te fazem sorrir Foi uma vida inteira E eu não senti o sabor da tua boca Ficou, somente, o seu contorno Cravado no espelho e em mim Num portal de mágoa Que eu ainda te tenho Adormeço sem tremor E o teu toque inquieta-me Arregalo o olhar e desapareço Para sempre, em silêncio Guardando uma última memória: Os teus lábios carnudos Pintados com a minha sentença - Sombra iminente e sem história Cruel fim De um amor solitário Do outro lado da margem Do outro lado de mim Para não mais sobrar
Texto originalmente publicado em Entre Margens