Provavelmente toda vez que sai uma resenha minha sobre algum romance histórico aqui no Roendo Livros vocês já esperam a coisa mais negativa do mundo, né? Não tiro a razão de ninguém, já que tenho um enorme problema com o gênero e não consigo esconder minha indignação com a posição das mulheres na sociedade no século em que as histórias se passam. E não, a impressão que as autoras tentam passar de "mulheres que estão à frente do seu tempo" também não me desce, porque no fim elas estão presas à um casamento e só. Mas por incrível que pareça a crítica de hoje vai ser um pouquinho diferente, já que eu acabei gostando de algumas coisas em Agora e Sempre — mas não se enganem, há

várias

ressalvas, é claro.

Agora e Sempre é o primeiro livro da série Sequels e a Bertrand Brasil está relançando todos os volumes com capas novas e maravilhosas. Aqui, conhecemos a história de Victoria Elizabeth Seaton, que levava uma vida bastante simples ao lado de sua irmã, Dorothy, até a morte súbita de seus pais. Antes de dar o último suspiro sua mãe menciona dois parentes, o Duque de Athernon e a Duquesa de Claremont, avó das meninas — até então, ninguém fazia ideia de Katherine possuía sangue nobre. Acontece que Victoria se parece tanto com a falecida mãe que a duquesa se recusa a recebê-la, deixando seu destino nas mãos do duque, que vê nisso uma oportunidade de casá-la com seu "sobrinho", Jason Fielding. 

Gente, gente. Eu simplesmente não tenho a mínima ideia do que pensar dessa história. Até mais da metade do livro eu estava realmente gostando, porque, aparentemente, McNaught tem o dom de fazer o leitor se apaixonar pelos personagens logo de cara. O enredo também não é ruim, e olha que vocês me conhecem muito bem e sabem o quanto sou crítica em relação à enredos de romances históricos. Por outro lado, eu fiquei extremamente irritada com as cenas machistas presentes aqui, mais que o normal! E olha que para o gênero eu relevo um monte de coisas, afinal, estamos falando geralmente sobre os séculos XVIII e XIX. 

Jason, o par romântico de Victoria, é extremamente agressivo e Judith McNaught justifica essa característica com o passado sofrido dele. Jason passou por muita coisa terrível e, de certa forma, até dá para entender ele ser frio e não ter mais esperanças no amor, até porque romances de época têm muito disso, né... Só que ser frio & triste é uma coisa totalmente diferente de ser violento. A noite de núpcias deles foi um show de horrores! Eu não tô nem aí se isso é spoiler, mas ele estupra a menina, gente! Tá na cara que ela não quer estar ali, não quer estar com ele, e mesmo assim ele força! O ódio maior é que a autora dá a entender que isso é uma coisa natural, mas obviamente não é! Fico pensando como que um autor consegue acabar com uma história tão bonitinha em um passar de páginas.

Apesar disso, a construção da narrativa é tão boa que a gente até sente ódio do personagem, das ações dele e dessa cena deplorável que me fez ter vontade de jogar o livro na parede, mas não consegue sentir raiva a história em si por causa de uma coisa: Victoria. Ela é tão amável & forte & boazinha & espirituosa que é impossível não torcer por ela, se apaixonar por ela. O jeito que ela trata as pessoas, principalmente os criados de Jason — que, inclusive, ele mal sabe os nomes —, é a coisa mais maravilhosa do universo. Simplesmente não existe isso de posição social para ela.

Então, Victoria salva o enredo de certa forma, mas por mais que existam coisas boas em Agora e Sempre, que são diferentes dos outros livros de forma positiva, nada pode apagar uma cena de estupro, que continua sendo estupro, não amor, nos séculos XVIII, XIX, XX e XXI, não importa. Não sei se posso ser mais clara que isso. Posso estar sendo incoerente se levar em conta a nota que dei para o livro no Skoob e detesto ficar nessa posição, ainda mais em uma situação como essa, mas Victoria é realmente uma protagonista muito boa para ser esquecida por um erro grotesco da autora.

Título Original: Once and Always

Autora: Judith McNaught

Páginas: 350

Tradução:

Editora: Bertrand Brasil

Livro recebido em parceria com a editora