Quando eu tinha mais ou menos dezessete anos, li uma trilogia de época que ganhou o meu coração. Desde então, nunca mais achei nenhuma que me agradasse. Ouvi falar tão bem da Mary Balogh que resolvi dar uma chande para Uma Proposta e Nada Mais, primeiro volume da trilogia O Clube dos Sobreviventes. Infelizmente, foi com esse livro que eu descobri que nunca mais terei um relacionamento sério com um romance de época na vida.
Nesse primeiro livro, somos apresentados aos sete amigos que fazem parte do clube, onde todos os membros foram marcados pelas Guerras Napoleônicas: Imogen Hayes, Flavian Arnott, George Crabbe, Ralph Stockwood, Hugo Emes, Vincent Hunt e Benedict Harper. Apesar de conhecermos um pouco da história de cada personagem, o enredo gira em torno de Hugo. O par romântico de Uma Proposta e Nada Mais se forma de um jeito muito estranho, quando Hugo encontra Gwendoline — viúva do Visconde de Muir — dentro de Penderris Hall, propriedade de um dos seus amigos, com o tornozelo torcido. Ao levá-la para a mansão, Hugo não imaginaria nunca que uma história de amor se desenrolaria entre eles.
Gente, sabem aquelas cenas de filme de romance em que um casal está terminando e, em dado momento, um deles vira e fala "o problema não é você, sou eu"? Ai, pois foi isso mesmo que eu quis falar antes mesmo de terminar esse livro, mas vou ao menos tentar explicar o porquê. Primeiro, eu só queria dizer que não há nada de errado com essa história, é o gênero em questão que não me atrai de jeito nenhum por diversos motivos que acredito que são característicos dele, e que vão contra todos os meus pensamentos.
Todos nós precisamos ser amados, Gwendoline, de uma forma plena e incondicional. Mesmo quando carregamos o fardo da culpa e acreditamos não merecer amor. A verdade é que ninguém merece. Não sou religioso, mas acredito que é disso que tratam as religiões. Ninguém merece, mas ao mesmo tempo, todos nós somos dignos de amor.
Para início de conversa, eu não consigo ler e aceitar de boas a submissão das personagens femininas e as falas e atitudes machistas dos personagens masculinos. Sim, eu estou muito bem ciente de que a história se passa em uma época bem diferente da nossa — e que, na realidade, a maioria das mulheres retratadas aqui estão a frente do seu tempo —, mas EU estou no século 21 e é extremamente difícil para mim assimilar isso tudo, mesmo sabendo que o machismo ainda existe. Resumindo, o que eu não aceito é ler tanta baboseira e ter que aceitar porque "ah, ok, eles estão em outro século".
Por exemplo, logo no início do livro Lady Muir revela em uma conversa com Hugo que esteve grávida e perdeu o bebê no sexto mês de gravidez, quando caiu de um cavalo. Vocês sabem o que o homem falou? "Ah, mas o que você estava fazendo num cavalo nessa condição? Você queria mesmo esse bebê? Mas nossa, quanta irresponsabilidade", como se gravidez fosse doença ou empecilho para as mulheres fazerem o que gostam, como se ela fosse culpada pelo acidente ou como se ele simplesmente tivesse o direito de falar alguma merda com ela, sendo que foi ela perdeu o bebê e sofreu muito por isso. Misericórdia, não tenho paciência. Acho que vocês conseguiram entender um pouco o meu nível de ranço pelo gênero, porque em qualquer livro acontecem diálogos desse tipo.
Eu tenho certeza que uma pessoa que ama esse estilo de história vai se apaixonar por esse livro. Eu não posso mentir falando que ele é um lixo, porque ele têm todos os elementos que uma boa obra deve ter: personagens bem construídos — inclusive os secundários, que aparecerão nos outros volumes da trilogia —, enredo de fácil compreensão, um romance chove-não-molha característico do gênero e uma protagonista feminina que consegue salvar o conjunto da obra. Portanto, acredito de verdade que Uma Proposta e Nada Mais é um bom livro, apenas não funcionou para mim, assim como qualquer outro romance de época que eu pegasse para ler.
Título Original: The Proposal
Autora: Mary Balogh
Páginas: 272
Tradução: Livia de Almeida
Editora: Arqueiro
Livro recebido em parceria com a editora
