Eu adoro histórias de fantasia, mas geralmente é um gênero que eu evito porque grande parte dos autores dividem o enredo em trilogias e séries. Como prefiro livros únicos, me animei muito quando a Galera começou a divulgar As Quatro Rainhas Mortas. Aqui, conhecemos o continente Quadara, que era governado por um rei até o dia da sua morte. O rei deixou quatro rainhas viúvas, que resolveram dividir os continentes, de acordo com a origem de cada uma: assim surgiram os quadrantes Archia, Eonia, Toria e Ludia, cada um sob a tutela de uma das rainhas, que reinavam juntas, mas separadas. Desde então Quadara é governada apenas por mulheres, já que a coroa passa de mãe para filha. 

No ano em que a história se passa, as quatro comandantes são: Marguerite, rainha de Toria, 40 anos; Iris, rainha de Archia, 30 anos; Corra, a rainha de Eonia, 25 anos; Stessa a rainha de Ludia, 16 anos. É fácil notar que não existe idade mínima ou máxima para ser rainha e, além do mais, cada uma tem sua personalidade e um estilo de pensamento. Pode parecer difícil, mas no fim das contas conseguem se entender e governar em paz de acordo com as Leis das Rainhas. Enquanto somos apresentados à esse mundo pelo ponto de vista das rainhas, conhecemos Keralie, a melhor larápia e mentirosa de Jetée, um distrito de Toria. 

É aí que vocês se perguntam: o que Keralie, uma ladra profissional, tem a ver com as rainhas? Bom, não é segredo para ninguém que as rainhas vão morrer, já que o próprio título nos revela o fato. A questão está no porquê as rainhas estão morrendo, uma a uma, e quem está matando-as. Afinal, se as rainhas são mortas e não possuem descendentes, como o molde do reino será sustentado? É aí que Keralie entra, pois um dos seus furtos deu a ela informações extremamente valiosas que podem desvendar o mistério e, consequentemente, renderem à ela uma ótima recompensa. 

Todos devemos concordar que As Quatro Rainhas Mortas possui um enredo extremamente promissor, pois mistura duas fórmulas que dão muito certo, mistério e fantasia. O universo criado pela autora é muito interessante, mas ficou um pouco de lado quando o mistério foi introduzido. Acredito que se Astrid Scholte tivesse focado um pouco mais no desenvolvimento e estrutura de Quadara e na história das rainhas (que eu amei profundamente), a leitura teria sido muito mais proveitosa. Tudo bem, é justo levar em conta o fato de ser um livro único, mas algumas páginas a mais não fariam mal algum, não é mesmo? Histórias rápidas são ótimas, mas precisam SIM de desenvolvimento!

Me afeiçoei demais às rainhas, o que foi horrível porque eu sabia que todas elas seriam mortas a qualquer momento. O mais interessante no desenvolvimento delas é a rede de segredos que as prendem. Cada uma esconde alguma coisa por trás da fachada de "rainha perfeita", o que as torna extremamente humanas. Por outro lado, não consegui gostar muito de Keralie, a verdadeira protagonista da história — bom, Scholte tinha que escolher alguém para representar esse papel, não é mesmo? Ela é extremamente insegura a apresenta, a todo momento, um caráter dúbio, então é realmente difícil confiar nela. Inclusive, não sei como o Mensageiro, o pobre coitado que ela furtou e acabou envolvendo nessa confusão toda, conseguiu confiar nela tão rápido.

O mistério envolvendo a morte das rainhas não é ruim, mas possui algumas falhas, principalmente em relação à identidade do assassino — eu mesma não fiquei nem um pouco convencida. Além do mais, tudo foi resolvido de forma muito simples no final, igualzinho novela brasileira que o vilão sofre horrores e os mocinhos possuem um final feliz. Muitas resoluções me pareceram muito forçadas e até mesmo ilógicas e sem um pingo de noção. Acabou que eu fiquei bem frustrada, porque muita coisa não se encaixou como deveria. Ah, também rolou um romancezinho fajuto que não convence nem um pouco. Só queria dizer que um livro não precisa ter romance pra ser bom, gente. 

Eu não achei As Quatro Rainhas Mortas de tudo ruim. A narrativa de Scholte é muito fluida e ela soube encaixar reviravoltas nos momentos certos, além de conseguir nos prender com a coisa dos segredos das rainhas e, obviamente, nos deixar curiosos para saber quem era o assassino. Mas ainda assim, faltou alguma coisa. Sempre fico um pouco triste ao ver ideias tão legais se perderem no meio do caminho por falta de desenvolvimento, mas vida que segue, né?

Título Original: Four Dead Queens ✦ Autora: Astrid Scholte  

 Páginas: 392 Tradução:Editora: Galera

Livro recebido em parceria com a editora