Kelsea ainda era uma criança quando foi levada por um soldado da Guarda Real para um pequeno chalé escondido no meio da floresta para viver longe do seu reino, aos cuidados de um casal de amigos da Rainha, Carlin e Barty. Contudo, quando completou 19 anos de idade, toda a Guarda aparece para levá-la de volta para se tornar a Rainha de um reino pobre e desprovido de todas as coisas que vocês conseguem imaginar.
Nesta viagem de volta, Kelsea passa por poucas e boas: discussões, brigas acaloradas com os guardas, perseguições e ainda é levada por um grupo que, mais tarde, descobre que são ladrões. Nesse meio tempo, Kelsea faz amizade com o líder do grupo e espero sinceramente que ele apareça nos próximos livros porque me apaixonei por ele, risos.
Sou a rainha. Ninguém manda em mim.
Isso é o que a maioria das rainhas pensa até o momento em que o machado desce.
Nossa futura rainha tem uma grande missão pela frente em seu reinado, que começa com tirar seu tio Thomas — O Aproveitador, como eu resolvi chamá-lo — do trono em que ele se intrometeu. Pensem num personagem que fez de tudo para não deixar nossa protagonista ter o que é seu por direito. Mas, ao chegar na cidade, Kelsea consegue provar que não é uma criança ou adolescente birrenta e deixa toda a população esperançosa e ao seu favor.
Só para complicar um pouco mais, o Reino e os outros ao redor, são comandando pela Rainha Vermelha, a vilã da história, que obriga as cidades a mandarem um número x de pessoas para ela de tempos em tempos, incluindo crianças.
A Rainha de Tearling foi uma leitura diferente em relação às outras do mesmo gênero, com uma escrita mais adulta e personagens pés no chão que fazem o que bem entenderem sem hesitar. Isso me agradou bastante, já que em algumas leituras tenho a severa impressão de que as autoras interrompem as ações dos personagens no meio do caminho, como se tivessem repensado o futuro deles do nada, e isso me frustra constantemente.
As histórias de fantasia eram as que mais mexiam com Kelsea, histórias de coisas que nunca haviam acontecido, histórias que a levavam para longe do dia a dia imutável do chalé.
Kelsea, apesar dos pesares, se mostrou uma mulher forte desde o começo. É claro que nos primeiros dias teve seus momentos de tristeza e relutância, já que ninguém lhe informou nada sobre como encontraria seu reino e pior, as pessoas ao seu redor nunca contavam tudo, como se fossem ser punidas se revelassem qualquer coisa. A protagonista também se mostra extremamente justa com o seu povo e, apesar de inexperiente, é muito inteligente e esperta.
Temos vários personagens secundários que finalmente não foram esquecidos pelo seu autor! Eles possuem seus capítulos com pequenos pontos de vista, onde podemos entender as suas ações e emoções em relação à Rainha e seu reino. Até a vilã teve seus momentos de glamour e eu adorei, já que, geralmente, os vilões não são explorados o suficiente.
A Rainha de Tearling é uma leitura agradável, com personagens fortes e bem construídos, senso de humor na medida certa, uma pitada de ação sem forçar demais e uma protagonista espetacular. Se estiver a procura de uma distopia ou fantasia, essa é a história certa para você. Depois dessas 352 que passaram voando, só posso dizer que estou super ansiosa pela continuação, A Invasão de Tearling, que será lançada em setembro pela Suma de Letras.
Título Original: The Queen of the Tearling
Autor: Erika Johansen
Páginas: 352
Tradução: Cássio de Arantes Leite
Editora: Suma de Letras
Livro recebido em parceria com a editora
