Título Original: Red Queen
Autora: Victoria Aveyard
Páginas: 422
Tradução: Cristian Clemente
Editora: Seguinte
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Título Original: Glass Sword
Autora: Victoria Aveyard
Páginas: 496
Tradução: Cristian Clemente
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora
A Rainha Vermelha, de Victoria Aveyard, não chamou minha atenção por sua originalidade, já que os elementos que estruturam seu enredo são batidos em outros livros de sucesso. Foi sua narrativa, na verdade, que me fez gostar tanto do livro, visto que a escrita da autora se desenvolve tão bem que chegar ao fim das páginas se torna uma necessidade, semelhante até a um movimento muscular involuntário. São reviravoltas demais para se conseguir dormir sem saber mais.
No mundo de Mare, a sociedade é dividida pelo sangue: os prateados são poderosos, conseguem controlar elementos e, em razão desse poder, vivem com todo o luxo e conforto que os vermelhos podem lhes proporcionar. Os vermelhos existem para servir os prateados - são fracos e, ou encontram um emprego útil, ou vão servir na linha de frente – e morrer – em uma guerra que dura séculos. Nada abala essa construção social, até que Mare Barrow, uma vermelha, sofre um acidente e manipula eletricidade na frente de toda a corte prateada. Mare se vê, então, no meio de intrigas familiares, brigas pelo poder e uma revolta silenciosa dos vermelhos pelas mãos da Guarda Escarlate.
Desço os degraus em meio a aplausos forçados, pensando apenas em não tropeçar. Mas meus pés caminham seguros e meu rosto permanece sério conforme passo por aquelas centenas de faces reservadas, ameaçadoras, desconfiadas. Mais uma vez estou sozinha diante dessas pessoas. Jamais me senti assim tão nua, mesmo coberta por camadas de seda e pó. Agradeço de novo pela maquiagem; ela é o escudo entre eles e a verdade sobre quem sou. Uma verdade que nem eu compreendo.
Espada de Vidro, segundo volume da série, consegue ser ainda mais intenso que o primeiro livro. É irritantemente viciante, pois as mudanças repentinas tiram constantemente o fôlego do leitor. Em vários momentos me peguei chocada com alguém, com alguma coisa, e simplesmente não conseguia acreditar. Aí, para minha surpresa, Victoria Aveyard chacoalhava a trama toda e – AI MEU DEUS – fui enganada novamente. A leitura foi cansativa, desgastante – e incrível.
A Mare de Palafiras morreu no dia em que caiu no escudo elétrico. Mareena, a princesa prateada desaparecida, morreu no Ossário. E não sei quem é a pessoa que abriu os olhos no subtrem. Só sei o que ela foi e o que perdeu, e o peso disso é quase esmagador.
Algumas coisas são diferentes do primeiro livro. Mare não é mais só uma menina boba, tem uma segurança que não tinha antes e é perceptível a maturidade que adquiriu no decorrer da história. Ela está mais corajosa, consegue enfrentar quem quer que seja e se posicionar sobre o que acredita. Por outro lado, ela está ferida, foi traída por uma das pessoas em que mais confiava e isso a magoou profundamente. O problema é que agora ela não consegue confiar em ninguém, e é irritante a quantidade de vezes que ela afasta aqueles que, indubitavelmente, só querem o seu bem.
O segundo livro é repleto de ação e aventura, e há poucas cenas em que alguma calmaria acontece. Geralmente os personagens estão em busca de sanguenovos – outros vermelhos com poderes como Mare –, infiltrando-se em cidades, ou em alguma fuga alucinada. Essa construção da narrativa é envolvente e dinâmica e, como já comentei, torna a leitura ainda mais atrativa.
Como no primeiro livro, também há algum romance, suave, discreto, que serve para contrabalancear o enredo, mas está longe de ser o aspecto principal. E há ainda maior cautela agora, existem mágoas demais para ignorar e outras pessoas que podem se machucar.
Antes, eu acreditava que o sangue era tudo no mundo, a diferença entre a luz e a escuridão, uma divisão irrevogável e intransponível. Tornava os prateados poderosos, frios e brutais, desumanos até, quando comparados aos meus irmãos vermelhos. Mas pessoas como Cal, Julian e até mesmo Lucas me mostraram como eu estava errada. Os prateados são humanos como nós, cheios dos mesmos medos e esperanças. Não estão livres do pecado, mas também não estamos. Nem eu estou.
Victoria também não nos poupa de alguma dor. Eu geralmente adoro quando um autor tem coragem de arriscar seus personagens, e isso também se aplica aqui, mas eu simplesmente não consegui superar o fato de que ela matou meu personagem favorito. Não estou sabendo lidar com isso, e quero deixar registrado que o livro só não entrou para minha lista de favoritos por conta disso.
Não posso comentar nada mais para não soltar spoilers da série, e acreditem em mim, é a surpresa que torna o livro tão fascinante. Para aqueles que desejam livros que vão mudar a sua vida, a série A Rainha Vermelha não se volta a essa finalidade. Mas se o interesse for uma história envolvente, divertida, emocionante e intensa, tudo ao mesmo tempo, a série é mais do que recomendada.

