Desde que a Editora Seguinte recrutou os blogs amigos para ajudarem na definição da capa nacional de O Beijo Traiçoeiro — inclusive, já quero começar falando que a outra capa, na minha opinião, era muito mais bonita —, eu já sabia que ele estaria na minha lista de leitura. Sendo assim, quando a prova antecipada me foi oferecida, eu mais que depressa aceitei o desafio. Eu gostei bastante da obra, apesar de ter algumas observações a fazer.

Nesta obra, onde a autora promete uma atmosfera à la Jane Austen, conhecemos Sage Fowler, uma garota de dezesseis anos que não concorda de maneira alguma com os casamentos arranjados, muito menos quer depender de um homem para o resto de sua vida. Justamente por não ser como as demais damas da sociedade, Sage é considerada inapta para casar e, para a surpresa de todos, acaba sendo convidada a ser aprendiz de casamenteira. 

É claro que toda essa história tinha um foco principal: a aprendiz deveria coletar o maior número de informações possíveis sobre as pretendentes e Sage rapidamente descobriu que era muito boa nisso, tão boa que chamou a atenção do capitão Quinn, que viajava com a comitiva onde estava a garota a fim de escoltá-los, além de buscar informações sobre uma possível conspiração que aconteceria no reino. Assim, Sage se torna uma espiã e acaba se envolvendo com tudo bem mais do que havia planejado.

Quanto mais Sage aprendia sobre as casamenteiras e o poder que detinham, mais convencida ficava de que administravam o país por baixo dos panos.

Apesar de ter ficado admirada com o romance e estreia de Erin Beaty, principalmente com sua escrita fenomenal, não posso deixar passar alguns pontos da trama que me incomodaram. Primeiramente, apesar de sabermos que, de fato, o livro se passa em um século totalmente distante — afinal, os casamentos ainda eram tratados como uma questão política ou por conveniência —, não sabemos exatamente quando ela se passa. Pode parecer um mero detalhe para a maioria dos leitores, mas acabou me deixando muito pensativa. 

Em segundo lugar, ainda que um livro narrado sob diversos pontos de vista  possa enriquecer uma leitura, a perspectiva dos militares não funcionou exatamente bem em O Beijo Traiçoeiro. Isso só aconteceu porque muitas informações foram simplesmente jogadas para o leitor. Por exemplo, somos apresentados à muitos locais e povos diferentes, mas em nenhum momento houve explicação sobre porque estavam lá ou, no mínimo, quem era quem. 

Ainda assim, a história conseguiu me fisgar. A protagonista, inevitavelmente, é diferente de todas as outras personagens femininas citadas no texto. Todas elas queriam se casar, ter filhos e cuidar da casa, enquanto Sage só queria estudar e ter seu próprio sustento. É claro que não considero Sage superior por isso, apenas a frente ao seu tempo. Além disso, Erin Beaty conseguiu mesclar de forma muito natural as partes de espionagem com o restante prometido para a trama. 

No decorrer da história, Beaty faz escolhas muito inteligentes e inesperadas, o que tornou a leitura muito mais agradável. O Beijo Traiçoeiro é um pouco diferente do que estou acostumada a ler, mas possui muitos dos elementos dos quais eu gosto. Estou super ansiosa para os outros volumes da trilogia. O segundo, The Traitor's Ruin, está com lançamento previsto para o segundo semestre de 2018 lá fora.

Título Original: The Traitor's Kiss

Autora: Erin Beaty

Tradução: Guilherme Miranda

Páginas: 440

Editora: Seguinte

Livro recebido em parceria com a editora