Acredito que você que está aí lendo já tenha ouvido falar do Neil Gaiman ou então de Good Omens, aquela série da Amazon com o Michael Sheen e o David Tennant (um dos atores mais queridos de todos os tempos)... Certo? Mas hoje estou aqui para falar do livro em que a produção foi inspirada

Good Omens, ou Belas Maldições — título da edição antiga — , é uma obra não só de Neil Gaiman mas também do escritor Terry Pratchett. Para quem não está acostumado ao humor inglês, talvez estranhe um pouco as piadas e o tom sarcástico dos autores, mas definitivamente é muito inteligente como a escrita foi feita, capaz de te intrigar e fazer com que mesmo sem entender todas as referências, você queira continuar a leitura.

O mundo vai acabar essa semana. Para ser mais específica, no próximo sábado. Quem descobriu isso foi Agnes Nutter em 1600, uma bruxa muito poderosa. Antes de morrer ela deixou um livro de profecias que foi parar nas mãos de uma de suas descendentes, Anatema, que nos tempos atuais procura entender as maluquices todas escritas ali (e fugir de caçadores de bruxas, pois é).

Aziraphale (Michael Sheen) e Crowley (David Tennant)

Enquanto isso, Aziraphale (o anjo) e Crowley (a serpente) perderam o Anticristo de vista. Eles foram enviados à Terra desde o começo dos tempos e lhes foi dada a missão de cuidar do menino que ajudaria no Armagedom ao completar 11 anos, mas conforme o tempo foi passando, tanto Crowley quanto Aziraphale acabaram ficando muito amigos e pegaram um certo apreço pelo nosso planeta.

Agora eles não estão certos de que o fim do mundo é o ideal e se querem mesmo que a humanidade seja dizimada... Afinal, existem muitas coisas boas por aqui ainda, como carros, plantas, bolos e livros. Mesmo assim, já que ambos cometeram um erro terrível no passado que fez com que o bebê certo tenha ido parar em uma família normal, em uma cidadezinha minúscula, e não faça ideia da sua importância, eles precisam correr contra o tempo, dando de cara até com Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse no meio do caminho.

Mas Adam, a engrenagem do mal, é um menino normal, que ama seu cachorro, é preocupado com o meio ambiente além de muito gentil e indestrutível, ops! Será que esses dois preguiçosos e atrapalhados irão achar o menino certo a tempo? As profecias de Agnes Nutter estarão certas mais uma vez? Vai estar tocando Queen no fim do mundo?

Aziraphale e Crowley são aquele tipo de dupla que se complementa a todo momento, até porque são completamente opostos. Somos apresentados a eles a partir de um narrador onipresente, onisciente e onipotente. Fazem ideia de quem é? Esse detalhezinho também deixa esse lado do apocalipse muito mais cômico.

Vi algumas pessoas dizendo que Good Omens se mostra um pouco confuso pela quantidade de personagens secundários, mas existe uma listinha logo no início que pode ajudar bastante os leitores a se situarem. Concordo que algumas vezes, talvez até por ter tantos personagens, a história fica um pouco enrolada, mas quando a gente pega o ritmo a leitura fica tão prazerosa que nem sei explicar.

Eu já conhecia esse livro desde quando foi lançado pela primeira vez, há um tempinho. Gosto muito da escrita de Gaiman e obviamente me apaixonei por Good Omens logo de cara, que é extremamente fluido e divertido. Como eu disse anteriormente, entender algumas referências pode te dar um trabalhinho, mas vale a pena no final.

Título Original: Good Omens

Autores: Neil Gaiman & Terry Pratchett

Páginas: 364

Tradução: Fábio Fernandes

Editora: Bertrand Brasil

Livro recebido em parceria com a editora