Título Original: Night of the Living Dead & The Return of the Living Dead
Autor: John Russo
Páginas: 320
Tradução: Lucas Magdiel
Editora: DarkSide Books
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Nunca fui fã de livros de terror, mas acho que vocês provavelmente já sabem disso. Evito esse estilo ao máximo por ser extremamente medrosa e justamente por isso escolhi este livro para um dos desafios da Maratona Literária de Inverno, que consistia em ler um livro do gênero que menos li no ano passado. O fato de eu adorar histórias com zumbis, mesmo apesar do medo, colaborou muita para a escolha dessa obra ao invés de qualquer outro terror. 

A Noite dos Mortos-Vivos é, sem dúvida, uma das maiores influências do terror. O romance foi inspirado no filme homônimo de 1968 e traz como tema aquelas velhas referências que já conhecemos de outras obras que falam de apocalipse zumbi: a luta pela sobrevivência, o foco proposital nas vítimas, a incerteza do surgimento do surto e, é claro, a crítica social sobre o comportamento dos seres humanos quando são colocados em situações extremas. A edição traz traz também a sequência de A Noite dos Mortos-Vivos, que nunca chegou a ser filmada. Não sei bem dizer, mas parece que existe um filme chamado A Volta dos Mortos-Vivos, mas ele não possui nenhuma relação com o romance, apesar de ter contado com John Russo como roteirista.

Em A Noite dos Mortos-Vivos, somos apresentados aos irmãos Barbara e Johnny, que estão visitando o túmulo do pai em um cemitério quando algo ataca Johnny inesperadamente, matando-o de uma forma canibal, deixando a irmã apavorada. Após algum tempo fugindo, Barbara encontra refúgio e uma casa praticamente no meio do nada, onde acaba se juntando a um grupo de sobreviventes. Assim, passamos a maior parte do livro focados na luta pela sobrevivência do grupo enquanto esperam ser resgatados de alguma forma. 

A morte pode ser instantânea e quase indolor.
A morte em si é um fim para toda dor.
Morrer pode ser como pegar no sono.
Então por que as pessoas têm medo de morrer?
(pág. 170)

Já A Volta dos Mortos-Vivos se passa 10 anos após a primeira epidemia. Após um acidente de ônibus em que não houve nenhum sobrevivente, os mortos começam a "ressuscitar" após algum tempo no necrotério. O fato mais interessante é que alguns dos mortos foram atingidos intencionalmente na cabeça pouco depois do acidente por um grupo de pessoas da cidade, e adivinhem só? Os que estavam com a estaca na cabeça não voltaram como os outros. Além do perigo iminente dos zumbis, as próprias pessoas se tornaram perigosas, já que em meio ao caos, saqueadores, assassinos e estupradores aproveitam para atacar também. 

Das duas histórias, a segunda foi a minha preferida. Gostei bem mais dos personagens e cheguei até a me apegar a alguns (principalmente a Karen, que estava grávida e posteriormente ao seu bebê), torcia avidamente para que todos sobrevivessem, mesmo sabendo da impossibilidade desse fato. Ficava ansiosa para saber o final e meu coração dava um salto a cada novo ataque dos zumbis. Apesar de ambas as histórias serem ficções, consegui sentir uma verossimilidade incrível tanto nos personagens quanto no sentimento deles em relação à peste. 

Para quem é fã de clássicos ou está pensando em se inserir no mundo dos thrillersA Noite dos Mortos-Vivos & A Volta dos Mortos-Vivos é altamente recomendado. Mas já vou avisando, fui fazer a besteira de ler nas madrugadas e ficava morrendo de medo de levantar para fazer xixi, atacar a geladeira ou qualquer outra coisa que eu tivesse que sair do quarto (ou apenas ignorem essa informação, vocês nunca vão encontrar ninguém mais medrosa que eu). E outra coisinha: não esperem um final feliz, de forma alguma.