Título Original: Intet
Autora: Janne Teller
Páginas: 128
Tradução: Anita Holm Thomsen Luciano
Editora: Record
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Sabe quando você está dando aquela passeada pelo Skoob, vê um livro com uma capa interessante, lê a sinopse e pá!, é obrigada a colocar o livro na lista de desejados? É essa a minha história com Nada, da escritora dinamarquesa Janne Teller. O mais interessante é que enquanto lia as opiniões, via as pessoas dizendo que tinham medo dessa história. Sim, o que encontramos aqui é bem macabro e perturbador, mas não chega a produzir medo (pelo menos em mim).

Cansado da vida, Pierre Anthon, no primeiro dia de aula do sétimo ano, percebe que nada importa, nada faz sentido, portanto, resolve passar o resto dos seus dias numa ameixeira em seu quintal, tentando convencer os colegas de classe que não vale a pena fazer nada. Estes se sentem tão incomodados que resolvem mostrar, a qualquer curso, que algo possui significado. Assim, resolvem construir uma "pilha de significados", tentando mostrar a Pierre Anthon que ele está errado.

A pilha, que começa com objetos simples, mas que possuem um significado para cada um, passa a ficar cada vez mais assustadora com o passar do tempo. Cada aluno cede algo especial para a pilha e desafia um colega a doar algo extremamente importante: pode ser um par de tamancos verdes, uma vara de pescar, um hamster de estimação... Na minha opinião, é a partir do hamster que as coisas começam a ficar esquisitas. 

— É uma perda de tempo — gritou, um dia. — Porque tudo só começa para acabar. Você começa a morrer no instante em que nasce. E isso vale para tudo. (pág. 09)

Assim que acabei de ler esse livro fiquei pensando em como escrever essa resenha. Apesar de ser curto e fácil de ler, a história é extremamente difícil de ser digerida. É tudo muito intenso, desde as falas de  Pierre Anthon às atitudes das outras crianças. Acho que o mais assustou em tudo foi justamente o fato de serem crianças fazendo coisas tão perturbadoras, mas ao mesmo tempo isso mostrou o quão humanos somos. 

A verdade é que sempre estamos buscando algum significado para qualquer coisa que fazemos. Pra quê passar a vida inteira estudando se vamos trabalhar depois só por causa do dinheiro? Faz sentido ficar economizando tanto sabendo que podemos morrer daqui cinco minutos? Por que as coisas só acontecem comigo? Enfim, sempre estamos nos questionando, buscando algo. 

Nada é o tipo de livro que foi escrito para chocar, deixar o leitor horrorizado e enjoado, principalmente pelo fato de ser tão verdadeiro. Após finalizá-lo, consegui entender perfeitamente o motivo de ter sido proibido na Escandinávia no ano do seu lançamento. Já deixo avisado que não é qualquer pessoa que tem cabeça para ler essa história, mas também acho necessária a leitura para algumas outras...