Apesar de não aparecerem muitas resenhas do gênero por aqui — principalmente pela minha dificuldade em falar sobre coisas mais gráficas —, mas eu sempre gostei muito de ler histórias em quadrinhos. Uma Irmã deixa uma sensação de nostalgia na gente, porque acaba mostrando varias atitudes que muitos de nós fazíamos quando éramos adolescentes. Apesar das lembranças e o meu envolvimento com o enredo, algumas coisas me incomodaram um pouco e vocês entenderão o porquê.

Aqui, conhecemos Antoine, um garoto de 13 anos e seu irmão mais novo, Titi. Os dois estão de férias e, como já é tradição, irão passar o verão na casa de praia da família no litoral francês, junto com os pais. Essa estadia tinha tudo para ser monótona como todas as outras, não fosse a presença de Hélène, uma adolescente de 16 anos que muda não só o verão, mas, de certa forma, a vida do nosso protagonista.

Logo no início, uma coisa que chamou minha atenção e me deixou muito intrigada, foi o fato de Bastien Vivès quase nunca desenhar os olhos dos personagens. Ainda não consegui entender muito bem o que o autor quis nos passar com isso, talvez alguma memória específica, não sei ao certo. Passado esse desconforto inicial, consegui me conectar mais com a história e com o cotidiano de Antoine, Titi e Hélène.

Uma Irmã é uma HQ sobre descobertas, disso eu não tenho dúvida. Aqui, os personagens conhecem novas pessoas, experimentam bebidas, cigarros e, principalmente, descobrem a sexualidade. Tanto que o quadrinho, os traços, as cores, tudo é muito sensual. O que me incomodou de fato não foi a sensualidade, mas foi o fato de Antoine ainda ser tão novo. Eu tenho plena consciência que as crianças de 13 anos são mais "maduras" do que nós éramos com essa mesma idade, mas sob o meu ponto de vista, é isso o que elas são, crianças. 

Bom, suponho que esse lado sexual de Antoine com Hélène me deixou desconfortável porque inevitavelmente eu me comparei com eles, com as coisas que eu fazia quando tinha a idade deles e, acreditem, eu era uma criançona ingênua, que brincava de lutinha com meus amigos, que voltava pra casa correndo depois da escola para assistir desenhos na TV. As cenas entre os personagens não são coisas muito fortes para nós, adultos, mas definitivamente não é um quadrinho indicado para crianças.

Antoine e Hélène vivem aquele famoso amor de verão, que é passageiro, mas irremediavelmente fica na memória. Não há nenhuma reviravolta mirabolante que nos deixa de coração apertado e nervosos, só aquela calmaria e uma delicadeza gigante. Talvez o final surpreenda algumas pessoas, assim como aconteceu comigo. Para mim, fica clara a mensagem de Vivès: para toda ação sempre há uma reação de mesma intensidade.

Título Original: Une Souer

Autor: Bastien Vivès

Páginas: 216

Tradução: Fernando Scheibe

Editora: Nemo

Livro recebido em parceria com a editora