Título Original: The Night Sky in My Head
Autora: Sarah Hammond
Páginas: 288
Tradução: Maria Beatriz de Medina
Editora: Galera Junior
Livro recebido em parceria com a editora
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Sabe aqueles dias que você tá com a cabeça tão cheia que não quer ler nada que exija demais? Foi justamente por isso que escolhi O Céu Noturno em Minha Mente. O fato de ser um infantojuvenil chamou muito a minha atenção e o título então, nem se fala. Infelizmente, não consegui me conectar de forma alguma com a história, cheguei até a achá-la bobinha, o personagem principal ingênuo demais e a narrativa um pouco confusa.

O que eu mais gosto em livros desse gênero é que sempre carregam uma sensibilidade enorme, sabe? O Céu Noturno em Minha Mente tem muito disso, mas não é um daqueles livros que a gente guarda na memória. Mikey é um garotinho de 14 anos que viu sua vida virar de pernas para o ar quando o pai foi preso. Não que ele se lembre de muita coisa, mas não tem como não pensar no assunto quando ele sai com uma cicatriz na cabeça dessa confusão toda. Ah, a mãe de Mikey não gosta de falar sobre o Papai de jeito nenhum, então é basicamente como se ele nunca tivesse existido. 

Mikey não é nem um pouco parecido com os garotos da sua idade, primeiro porque sempre acha a maioria das coisas confusas demais e, segundo, por causa da sua cicatriz, muitas vezes ele é tomado por sombras que sussurram coisas na sua cabeça. Mikey chama isso de Pra Trás, e é onde ele consegue visitar o passado. Num desses flashbacks, Mikey chega misteriosamente a uma cena de um assassinato, além de ter praticamente certeza de que seu pai está envolvido nessa história.

O Pra Trás é minha especialidade: vem como um filme da vida real e me mostra coisas que já aconteceram mesmo que eu não estivesse lá na época. Mas é sempre uma surpresa; nunca sei que parte do Pra Trás virá. Tenho de tomar cuidado e não ir longe demais, porque às vezes há coisas que não quero ver.

Sabe quando você lê um livro e não tem certeza se gostou ou não? Acho que é justamente isso o que eu sinto em relação à O Céu Noturno em Minha Mente, mais tombara para o lado do "não gostei". A verdade é que, para mim, a história teve mais pontos negativos que positivos, a começar pelo protagonista. Eu entendo muito bem que a criança passou por muitas coisas ruins no passado que acabaram afetando o seu psicológico, mas Sarah Hammond fez um personagem TÃO ingênuo que acabou ficando forçado. Além do mais, a história é super previsível. Eu já sabia o que ia acontecer antes mesmo de chegar na metade do livro e isso não me agradou nem um pouco. Também achei essa coisa do Pra Trás um tanto confusa, principalmente no início. 

A narrativa é feita em primeira pessoa pelo Mikey e é bastante arrastada, creio que principalmente pelo fato de o personagem ter bastante dificuldade em entender as coisas (mesmo elas sendo óbvias até demais). Ah, Timmer, o cachorrinho de estimação de Mikey merece um super destaque, já que ele é super fiel e sente quando coisas ruins estão por perto e até tenta avisar, mas seu amigo resolve não lhe dar ouvidos. No fim, acho que a única coisa que me agradou de verdade no livro foi a conexão que Mikey tem com os bichos no geral, ele até chega a usar o Pra Trás para ajudá-los em certos momentos da história. 

Quem chegou até aqui não tem dúvidas de que eu não indico esse livro, mas se alguém ainda quiser arriscar, que seja por sua conta e risco. Não nego que a história é bastante original, mas faltou MUITA coisa para que eu a considerasse boa o suficiente.