Em Tudo Aquilo Que Nos Separa, conhecemos Sarah Mackey, uma mulher que, quando jovem, se viu obrigada a abandonar o seu país de origem para tentar superar a perda de uma pessoa importante. Todos os anos Sarah volta à Inglaterra no aniversário do acidente, mas em sua última visita, conhece Eddie. O encontro entre os dois ocorre de uma maneira bem divertida e natural, e a conexão entre ele é notada logo nas primeiras páginas. Sarah e Eddie passam sete dias incríveis juntos, e, no último, ele promete que vai telefonar em breve, mas simplesmente desaparece.
Sarah falta entrar em colapso tentando entender o porquê de Eddie ter sumido, e quando eu digo colapso, quero dizer surtada. Sabe quando a gente tem uns 16 anos e não aceita que o boy não quer mais nada? Pois é... Ela liga, manda mensagem no Facebook, chega a criar um perfil numa rede social de relacionamentos para ver se ele estaria por lá, mas não tem nenhuma resposta. Porém, algumas coisas bem estranhas começam a acontecer: Sarah recebe telefonemas silenciosas e mensagens de texto de um número desconhecido, além de jurar que está sendo vigiada por alguém. A partir daí, temos certeza que existe alguma coisa bem errada nessa história toda.
— Não acho que o amor deva ser uma explosão. Não acho que deva ser dramático, cheio de sofreguidão, nem nada dessas bobagens que dizem os músicos e escritores. Mas acho que, quando acontece, nós sabemos. — p. 147
A trama de Rosie Walsh é boa, mas deixa a desejar em alguns pontos. Primeiramente, foi impossível para mim ter o mínimo de empatia pela protagonista, principalmente por causa do seu comportamento infantil. Além do mais, eu detesto quando um autor coloca uma mulher como louca em uma história, me incomoda muito. Em segundo lugar, Eddie e os personagens secundários — Tommy, Jo e Jenni, melhores amigos de Sarah — não têm um pingo de carisma e desenvolvimento, o que impediu a minha conexão com eles. Como o livro é narrado em primeira pessoa sob o ponto de vista de Sarah, o que conhecemos das pessoas próximas é o que ela mostra, mas a paranoia é tão grande que não sobra espaço para falar deles.
Apesar de inesperado, achei o plot twist muito fraco e um tanto forçado. Na minha opinião, o enredo poderia ter sido melhor aproveitado se Walsh tivesse focado um pouco mais nos sete dias em que os protagonistas ficaram juntos. A gente só acredita que foi inesquecível porque Sarah diz isso, mas tal fato não é realmente mostrado. Não existe aquele romaaaaaaaaaaance de tirar o fôlego, só algumas lembranças superficiais que podem acontecer com qualquer pessoa, nada de extraordinário e tocante.
A propaganda em volta do livro promete uma história emotiva, que levará o leitor às lágrimas, mas, para mim, a narrativa assume um tom misterioso demais para emocionar. Em contrapartida, acredito que isso não seja um defeito, visto que o mistério acerca do sumiço de Eddie é o que movimenta a trama. Assim como Sarah, a gente quer saber desesperadamente o que aconteceu, o que nos instiga a finalizar a leitura. De um modo geral, o que eu mais gostei na história foi esse enigma, que fez com que eu terminasse der ler o livro em uma sentada. É justamente por isso que considero Tudo Aquilo Que Nos Separa um livro bom — mas que tinha potencial para ser maravilhoso.
Título Original: The Man Who Didn't Call
Autora: Rosie Walsh
Páginas: 336
Tradução: Márcio El-Jaick
Editora: Record
Livro recebido em parceria com a editora
