Eu nunca fui de ler livros temáticos. Quando chega Natal e Ano Novo, vejo muitas pessoas lendo histórias sobre o tema, mas nenhuma nunca me chamou atenção. Resolvi ler Um Dia em Dezembro por puro golpe de sorte, só porque recebi em uma das edições da caixinha Very Important Book, do Grupo Editorial Record. É mais um clichê de Sessão da Tarde, mas não daqueles gostosinhos que a gente gosta de ver sempre que passa. "Mais do mesmo" é a expressão perfeita para essa história, mas acrescentando alguns defeitinhos.
Em um dia aleatório de dezembro, Laurie está voltando para casa depois de um dia cansativo de serviço quando vê o cara perfeito no ponto de ônibus. Quando os olhares se cruzam, a protagonista tem certeza de que ele é o amor da vida dela. Só que depois desse dia, eles nunca mais se veem e a busca pelo rapaz se torna uma obsessão para Laurie. Um ano depois, quando ela está prestes a desistir e seguir com sua vidinha monótona, Sarah, sua melhor amiga e colega de casa, apresenta o seu novo namorado e adivinhem só? Ele é nada mais, nada menos que o moço do ponto de ônibus. Coincidência ou destino?
Para quem acredita em amor à primeira vista, provavelmente a história de Laurie e Jack vai ser perfeita, mas como me prendo à realidade, não funcionou para mim. Primeiro porque acho praticamente impossível você só ver um cara bonito e acreditar que ele é sua alma gêmea. Interesse, vontade de conhecer a pessoa e quem sabe ficar com ela é muito diferente de pensar em um desconhecido como o cara que você quer ter pelo resto dos dias. Esse é o primeiro ponto negativo. Depois, quando os dois voltam a se encontrar na pior situação possível, resolvem ignorar que se "conhecem" e ficam choramingando pelos cantos.
— Sou uma idiota – murmuro. – Nem sei por que estou chorando.
Ele suspira, exasperado, gentil.
— Porque você está cansada e preocupada, sentindo-se como se estivesse sempre nadando contra a maré.
As atitudes dos protagonistas não me agradou em nada. De um lado temos Laurie obcecada pelo namorado da melhor amiga — coisa que provavelmente teria sido resolvida em instantes se ela tivesse sido sincera com Sarah —, usando um discurso de "ah, eles são namorados agora, eu tenho que aceitar isso porque nunca vi Sarah tão feliz, mas EU que deveria estar no lugar dela porque ele é o MEU cara do ônibus". Totalmente errada, misericórdia. Do outro lado temos Jack, o cara perfeito que não é tão perfeito assim, porque o tempo todo ele fica nessa de "eu amo a Sarah, mas a Laurie é um ser angelical e maravilhoso". Ai, por favor. Homens. Como o livro é narrado sob os dois pontos de vista, a gente sabe exatamente o que eles pensam e nossa, péssimo. Traição não é só ir lá e beijar outra pessoa não, viu?
A promessa é que encontraria um romance inesquecível dentro de Um Dia em Dezembro, mas existem tantas histórias parecidas que nem vale a pena. Por exemplo, quem leu Um Dia do David Nicholls — que eu adoro, inclusive — ou Simplesmente Acontece da Cecelia Ahern, vai notar as semelhanças logo de cara: um casal que não fica junto por empecilhos colocados pelo próprio casal que não assume que existe um sentimento. A diferença é que nas obras citadas anteriormente os protagonistas eram amigos de longa data, então não foi um amor que surgiu do nada, coisa que nunca vai funcionar para mim.
Apesar disso tudo, confesso que achei o desfecho até fofinho, mas não vale todo o lenga-lenga do desenvolvimento, porque para mim é simples: se você está com uma pessoa pensando e outra, algo de errado não está certo e ponto final. Provavelmente a única coisa que me agradou de verdade foi a narrativa da Josie Silver, que é tão fluida e rápida que impede a gente de largar o livro logo no começo. O problema de Um Dia em Dezembro não é o clichê e sim a forma como foi desenvolvido. Para mim essa história tem muita coisa errada para ser considerada boa.
Título Original: One Day in December
Autora: Josie Silver
Páginas: 392
Tradução: Carolina Simmer
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
