O que mais me deixou curiosa sobre esse livro foi a sua ótima premissa, onde uma sociedade futurista recebe uma "memória" do futuro quando atingem a idade adulta, no caso aos 17 anos. Esqueça o Amanhã é uma história que tinha tudo para dar certo, mas infelizmente a autora acabou se perdendo logo no início da trama. O que tinha de tudo para ser uma leitura fenomenal, acabou se tornando uma decepção total.
Assim que completam 17 anos, todos os habitantes de Eden City recebem sua memória do futuro. Isso não é um evento qualquer, já que tal memória pode mudar o curso da vida da pessoa. Por exemplo, se o jovem viu em sua memória do futuro que será um professor de Matemática de sucesso, ele vai se esforçar ao máximo para alcançar tal proeza, incluindo largar todas as coisas de que realmente gosta. Só que, às vezes, as pessoas recebem memórias ruins, como a de Callie, que se vê matando a irmã mais nova e é presa mesmo sem ter feito nada, teoricamente.
Esse enredo poderia ter sido explorado de várias formas diferentes — principalmente porque quando Callie é presa, acaba descobrindo alguns segredos sobre as memórias e isso foi a única coisa que me motivou a ler o livro até o final —, mas Pintip Dunn resolveu nos mostrar mais do mesmo com um romance adolescente totalmente fora de contexto e mal desenvolvido. Juro para vocês que Callie passa 90% do seu tempo falando sobre Logan e como é apaixonada por ela, enquanto o mundo ao seu redor está ruindo.
Gostaria de viver num mundo onde o amor conquista tudo. Mas talvez tenhamos aberto mão deste privilégio quando o Boom Tecnológico alterou nossa sociedade. Talvez, quando construímos um mundo com base em imagens do futuro, tenhamos barganhado nossos sonhos em troca. Pagamos com a paixão de nossas almas, a paixão que arde de esperança, desejo e possibilidades.
Falando assim, parece que eu não gosto de romances, o que é mentira. Eu gosto de romances, desde que eles não tirem o foco principal da história, que foi o que aconteceu com Esqueça o Amanhã. As descobertas sobre as memórias do futuro, coisas sobre as pessoas paranormais — sim, algumas pessoas nascem com certos dons e acabam sendo perseguidas —, o suspense, o clima distópico em si, tudo é ofuscado pelo romance entre Logan e Callie. Juro para vocês que eu não aguentava mais ler os pensamentos da protagonista sobre as costas fortes do menino e sobre como queria beijá-lo e não conseguia viver sem ele.
Quando eu pego um livro distópico para ler, espero que as questões políticas, a busca por respostas e o instinto de sobrevivência sobressaiam mais do que qualquer coisa. Acontecem algumas coisas importantes, sim, mas infelizmente tudo o que tem de interessante e curioso na história é ofuscado pelo romance. A verdade é que eu me senti extremamente enganada, já que queria ler mais sobre Eden City, como foi criada, como surgiram as pessoas paranormais e o mais importante, como as pessoas conseguem fugir das memórias do futuro e o que acontece depois. Talvez isso possa ser retratado nos próximos volumes, mas não sei se quero pagar para ver.
Um dos poucos pontos positivos de Esqueça o Amanhã é a escrita de Pintip Dunn, totalmente fluida e de fácil entendimento, o que fez com que eu lesse o livro em pouco mais de dois dias, apesar do romance sem sal e das informações absurdas que a autora simplesmente jogou no final para dar um gancho para o próximo livro. O último capítulo do livro até fugiu um pouco do que eu esperava e não nego que pelo menos gostei da forma como a história foi finalizada, mas um capítulo entre 44 não vale o esforço.
Título Original: Forget Tomorrow
Autora: Pintip Dunn
Páginas: 384
Tradução: Ryta Vinagre
Editora: Galera
Livro recebido em parceria com a editora
