A história deste livro é passada no Alentejo em duas pequenas aldeias, a nossa protagonista, Lurdes, faz parte de uma família de nove pessoas, sete filhos e os pais. Tal como em todas as pequenas aldeias e na época em questão havia a grande crença em Deus e na igreja, em que o padre da aldeia era visto como o senhor todo poderoso, o que nos leva a uma personagem essencial também nesta narrativa, o senhor padre.
Olhando para a história por olhos dos tempos atuais, o padre da freguesia desenvolveu uma enorme crush pela protagonista, mas como é padre, tem um voto de castidade e porque estamos a falar de uma criança de 14 anos, o que ele queria e desejava viviam apenas na sua cabeça.
A vida desta criança muda radicalmente quando num dia normal a caminho de casa de uma amiga, um homem a viola. Nunca se chegou a saber quem foi o autor deste crime hediondo, mas o mesmo resultou numa gravidez indesejada e que significava uma enorme vergonha para a família, isto porque naquela altura, as pessoas deviam chegar virgens ao casamento. Com o nascimento desta criança, foi necessário tomar alguma medida, e aqui é que entra para ficar o padre na vida de Lurdes, sugerindo e metendo bichinhos na cabeça do pai de Lurdes que o melhor para todos seria dar a criança. Assim o fizeram, o bebé foi retirado a Lurdes e a mesma foi viver para outra localidade com os tios.
A restante história é toda em torno da vida de Lurdes, como é que ela teve de enfrentar esta perda e seguir com a sua vida. A forma como o padre voltou a entrar na sua vida e acabou por ter sempre uma influência na sua vida e decisões. A forma como o padre se conseguiu safar de tudo para não ser acusado, ou não levantar suspeitas, do seu envolvimento neste crime.
A história foi descoberta por Isabel, a filha mais nova de Lurdes, que descobriu o diário antigo da mãe. O objetivo nesta busca nunca foi o de conhecer a história de vida da mãe, queria apenas desvendar a morte de uma pessoa da aldeia, mas acabou por perceber tudo, e essencialmente a razão para a forma como a mãe se comportava.
Gostei de ler grande parte deste livro, passei por várias sensações, aterrorizada, com raiva, triste, feliz, revoltada, confusa…mas cheguei a uma parte em que senti que a história passou a andar muito rápido e quase sem detalhes. O fim não foi o que eu gostaria, não acabou como eu idealizei que seria fazendo-se justiça. Mas foi assim a vontade da autora e a própria referiu que gosta de tocar em feridas, e este foi um desses casos em que uma pessoa faz muito mal, mas sai completamente ilesa. Isto fez com que ficasse com muitas questões, a primeira delas, quem violou a Lurdes? Tem uma parte da história que eu entendi que teria sido o polícia da aldeia onde vivia. Outra, como foi a relação do padre com a afilhada assim que esta cresceu e se tornou muito parecida com a mãe? E, como foi a relação de Lurdes e Joaquim, principalmente como era o Joaquim e o que este passou?
Percebo o intuito da autora em ter escrito assim o livro e ter deixado este final, mas também me revolta a forma tão perfeita como escreveu porque antigamente as coisas eram mesmo assim e não sei como as pessoas conseguiam ser tão ceguinhas a este ponto. Fiquei também com pena de Lurdes e Joaquim, porque não tiveram a vida e a felicidade que mereceram, porque uma criatura desprezível nunca lhes permitiu. O quentinho que me dá no coração é que a autora, deixa entreaberto que Isabel vai procurar o irmão e que fará de tudo para o trazer à verdadeira mãe.
Gostava que se alguém lesse este livro, partilhasse comigo as suas respostas a estas perguntas, ou então se partilham o mesmo tipo de perguntas.
Para a autora, espero que este seja o primeiro livro de muitos e que não seja preciso esperar tanto para ser partilhado, porque o que escrever será bom e terá retorno.
Breve descrição da autora do livro

Lénia Rufino é natural de Lisboa e nasceu em 1979. Viveu sempre rodeada de livros, e decidiu estudar Publicidade e Marketing, mas sente que deveria ter ido e se um dia voltar a estudar pretende fazer Psicologia Criminal.
Com 10 anos escreveu o seu primeiro conto e decidiu que um dia seria escritora. A vida não se proporcionou assim e o seu primeiro romance foi lançado em 2021, mas esteve sempre ligada à escrita, publicou contos no DNJovem, é autora de blogues desde de 2003 e colabora com o Repórter Sombra, também a publicar contos.
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