“Silêncio no coração dos pássaros” é o segundo livro da Lénia Rufino, é um livro pequeno o que o torna uma ótima companhia para um fim de semana.

Falando agora um pouco da história. A protagonista principal, Laura, uma violinista prestigiada, começa a sentir que as coisas na sua vida amorosa não estão bem e surge uma oportunidade que a afasta do seu dia a dia. Parecia uma ótima forma de se distanciar um pouco e organizar as ideias, mas infeliz ou felizmente, dependendo a quem se pergunta, não foi bem isso que aconteceu. Este afastamento mudou por completo a sua vida, de uma forma que nem a mesma tinha imaginado.

A história é intercalada por diferentes linhas temporais, desde os tempos de menina de Laura, até que ela é adulta e se encontra no impasse do que deve fazer da sua vida. É-nos apresentada também a história de Álvaro e de Thomas, ambos músicos, tal como Laura. Álvaro é o seu marido, já há muitos anos e Thomas um músico que ela conhece nesta pequena digressão.

A frase que mais me marcou foi a descrição da amizade de Laura com Clara:

“A nossa amizade trazia já muitos anos a tiracolo. Tornáramo-nos confidentes uma da outra, a espécie de amiga que ouve sem perguntar, que dá espaço para que as confissões surjam quando as angustias nos rebentam no peito e não porque somos alvo de um interrogatório quase policial.”

Para mim esta frase traduz o que sinto que seja uma amizade. Ouvir, dar colo e também dizer aquilo que sabemos que o outro não quer ouvir mas que precisa naquele momento.

Acredito que esta história, seja o reflexo de muitas mulheres, que na meia idade repensam vários pontos da sua vida, mas que por medo ou por outro motivo não conseguem fazer nada para mudar. Espero que seja inspiração e o exemplo que algumas mulheres, ou homens estejam a precisar. Algo que não posso apontar à nossa protagonista é falta de coragem, porque isso ela tem de sobra. Por coincidência ou não, este livro chegou mais ou menos na mesma altura em que tive uma grande mudança na minha vida e na minha relação e fez-me pensar. Se certas coisas forem ignoradas ao longo do tempo, podem tornar-se um problema e daqui a uns tempos eu posso ser “uma Laura”.

Nos agradecimentos a autora explica o porquê de ter escrito este livro e quando sentiu que o devia fazer, mas a meu ver não concretizou como pretendia, fez referência mas a história não foi focada nisso. A parte que menos gostei, foi a concretização da personagem, Thomas, era um músico polaco, mas parecia-se muito com um português.

Apresentação do livro

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Tive oportunidade de ir a uma das sessões de apresentação deste livro. A autora, tal como explica nos agradecimentos, ficou com esta história na cabeça ao assistir a um espetáculo de uma orquestra. Depois foi só organizar as ideias e tivemos este livro, muito diferente do primeiro (“O Lugar das Árvores Tristes“), tanto em termos de história como de escrita.

A escritora não queria ficar rotulada como “a escritora de…” e está a conseguir isso na perfeição, os seus livros são sempre uma surpresa. Para mim, enquanto leitora, isso é muito bom, o efeito surpresa e poder avaliar a capacidade da autora para os diferentes estilos. A escritora também referiu que o silêncio é muito importante, neste livro, pelo facto de as nossas personagens não saberem lidar com ele e por

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depois perceberem o quão importante é. Explicou também o significado do título, se quiserem tentar adivinhar depois confirmo se é ou não 

Foi bom ir a esta apresentação, conseguir perceber um pouco mais da história, do porquê de ter sido criada e falar com a autora. Ficamos também a saber que Lénia Rufino já tem saudades da rotina de escrever e que já tem, pelo menos, três ideias para um próximo livro. Aguardamos ansiosos pelo próximo 

Breve descrição da autora do livro

Lénia Rufino

Lenia rufino

Lénia Rufino é natural de Lisboa e nasceu em 1979. Viveu sempre rodeada de livros, e decidiu estudar Publicidade e Marketing, mas sente que deveria ter ido e se um dia voltar a estudar pretende fazer Psicologia Criminal. 

Com 10 anos escreveu o seu primeiro conto e decidiu que um dia seria escritora. A vida não se proporcionou assim e o seu primeiro romance foi lançado em 2021, mas esteve sempre ligada à escrita, publicou contos no DNJovem, é autora de blogues desde de 2003 e colabora com o Repórter Sombra, também a publicar contos. 

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