Paula Pimenta é, provavelmente, uma das maiores escritoras de livros infantojuvenis da atualidade. Apesar de já ter escrito outras obras, é mais conhecida pelas séries Fazendo o Meu Filme e Minha Vida Fora de Série. Recentemente lançou essas releituras das histórias de três princesas que  já conhecemos bastante, Bela Adormecida, Cinderela e Ariel, tornando-as mais antenadas e modernas. Não li os outros volumes, mas o texto de hoje é sobre Princesa das Águas — acho que nem preciso falar a história de quem nós conhecemos aqui, não é?

Arielle Botrel seria uma adolescente extremamente normal se não fosse uma nadadora famosa. Aos 16 anos está prestes a competir sua primeira Olimpíada e, como todo atleta, tem uma agenda bem cheia. Apesar de gostar de nadar, tudo o que Arielle queria de verdade era algo além do eterno treino-colégio-casa, só queria curtir um pouco sua adolescência. Além do mais, a menina tem uma linda voz e ama cantar, mas por causa de alguns acontecimentos tristes do passado acabou optando por esconder esse dom em troca da felicidade do pai, que, aliás, é um ex nadador.

Como não tem autorização do pai para sair — por causa de todo aquele blá-blá-blá de "manter a imagem, dormir pelo menos oito horas por dia, ser saudável, ser uma prisioneira, etc etc" —, Arielle acaba dando seus pulinhos. É em uma dessas escapadas que conhece Erico, um excelente jogador de tênis que também competirá nas Olimpíadas, de uma forma um pouco desastrosa: o garoto sofre um acidente e Arielle se vê obrigada a salvá-lo. A partir daí, sente sua vida virar de pernas para o ar.

Não nego que a escrita da Paula é um espetáculo à parte, porém isso foi uma das únicas coisas que me surpreendeu durante a leitura. A história, para ser sincera, é bastante simples e também é conduzida de uma forma não muito excepcional, nada fora do comum. Para começar, Arielle apenas salva o garoto de se afogar na piscina, coisa que provavelmente ela teria feito por qualquer pessoa — porque né, é o instinto do ser humano — e já se vê apaixonada por ele. Não sei se já disse isso aqui antes, mas eu não acredito muito bem nessas paixões instantâneas. Sempre que eu ler alguma história em que isso acontece, irei criticar, pois é um gosto pessoal.

Como sabia quem eu era de verdade se a vida inteira fui criada praticamente em um aquário, sem ter conhecimento que existia um oceano do lado de fora? O que será que o mundo reservava para mim? (p. 48)

Depois, a própria personagem me irritou um bocado. Gente, como é ingênua! Tudo bem, a gente não conhece muito da vida quando tem 16 anos, mas tinham umas coisas que Deus de misericórdia, eu só tinha vontade de sentar um tapa na cara dela e falar "acorda, minha filha"! Ela arranja uma amizade com uma nadadora, Sula, que qualquer pessoa conseguiria ver as segundas intenções: tentava deixar Arielle feia na frente da TV, vinha com umas ideias muito suspeitas e a Arielle aceitava, gente! Sem contar que ela acaba colocando uma amizade verdadeira em risco por causa de alguém que só estava tentando ferrar com ela. Além disso, eu tive um pouco de pena dessa coisa de ela se ver obrigada a seguir carreira de nadadora quando estava na cara que ela só queria cantar! Poxa vida, será que os filhos não enxergam que fazer uma coisa pra deixar os pais felizes não é nada saudável? Aliás, será que os pais não enxergam que os filhos não serão felizes sendo obrigados a fazer uma coisa que não querem?

Porém teve uma coisa que eu realmente gostei muito, que foi o fato da autora conseguir manter a essência de A Pequena Sereia em todo o livro. Tudo girava em torno da voz de Arielle e achei um charme a parte de a menina só poder se comunicar com o Erico através de sinais — não vou entrar em detalhes para não perder a graça para quem tem interesse no livro. Claro que o fato de Arielle ser uma nadadora profissional só caracterizou mais a personagem e eu achei isso bem legal. A maioria dos personagens secundários são muito bacanas e, ao que parece, as protagonistas de Cinderela Pop e Princesa Adormecida dão as caras aqui nesse volume, o que é uma ótima notícia para quem se apaixonou pelos primeiros livros da série. Outro ponto positivo é que dá pra ler em uma sentada mesmo, conclui a leitura em menos de três horas.

Princesa das Águas não é um livro ruim, Paula Pimenta não escreve histórias ruins, como já vi algumas pessoas dizendo por aí. A coisa toda é que ela tem um público alvo e sim, se já faz sucesso com ele, deve continuar escrevendo para ele. Porém, ao mesmo tempo, fico morrendo de vontade de ela amadurecer um pouco a escrita e investir em algo um pouco mais adulto. Com todo esse talento, tenho certeza que eu iria adorar, mas deixo as releituras das princesas para quem é fã do gênero e, é claro, da autora.

Título Original: Princesa das Águas

Autora: Paula Pimenta

Páginas: 368

Editora: Galera Record

Livro recebido em parceria com a editora