Quando eu era mais nova, eu amava Contos de Fada, principalmente a história da Branca de Neve. Eu tinha uma fita de vídeo que assistia pelo menos duas vezes na semana. Hoje em dia, apesar de ainda gostar dessas histórias e reconhecer a importância delas, existem várias coisas das quais eu não concordo mais — como, por exemplo, um príncipe beijar uma princesa enquanto ela está dormindo... Para ser sincera, o que chamou minha atenção na série A Escola do Bem e do Mal, em primeiro lugar, foi o fato de ser indicada para o público infanto-juvenil, e eu amo o gênero; mas, além disso, o próprio enredo é de encher os olhos.

No primeiro volume, A Escola do Bem e do Mal, somos apresentados às nossas protagonistas: Sophie, lindíssima e loira, a própria imagem da perfeição, e Agatha, uma garota super mal humorada, com cara de poucos amigos, que só anda de preto. Conhecendo as personagens principais, vem o enredo da história: de quatro em quatro anos duas crianças são sequestradas no povoado de Gavaldon e são levados para A Escola do Bem e do Mal, onde estudam para fazer parte de Contos de Fadas. Obviamente, uma das crianças vai para o Bem, enquanto a outra vai para o Mal.

Desde o início do livro eu tinha certeza que Sophie, a princesinha que acha que é maravilhosa, iria para a Escola do Mal, enquanto Agatha, que todos chamam de bruxa, iria para o lado do Bem. Isso porque, vejam bem que interessante — risos —, a escolha do diretor não é feita pelas aparências e sim pelo que a pessoa é por dentro, e nesse quesito incluem os seus pensamentos. Sophie, por exemplo, é a criatura mais egoísta e mesquinha que existe no Universo, e Agatha é totalmente o oposto do que parece ser: bondosa de verdade, além de uma super amiga — mesmo quando Sophie não merecia essa amizade nem por um segundo. 

Apesar de existir o estereótipo de que meninas têm sempre que se embelezar para os meninos, enquanto os meninos podem fazer coisas super legais — exercícios físicos, matérias super interessantes e terem o poder de escolher ficarem solteiros —, principalmente na Escola do Bem, eu gostei do que o autor fez com esse livro. O foco não é mostrar o que meninos ou meninas podem ou não fazer, mas mostrar o somos de verdade, por dentro. Soman Chainani consegue mostrar de uma forma bem leve que ninguém é 100% bom ou 100% mau, mas que todos temos momentos em que um desses lados se pronuncia mais.

Toda a raiva que eu senti de Sophie pelo seu comportamento acabou diminuindo um pouquinho em Um Mundo Sem Príncipes, por mais que ela continue sendo a vilã. No segundo volume da série, A Escola do Bem e do Mal está de "pernas para o ar". Não existe mais um lado bom e um lado ruim. Aqui, as bruxas se juntaram com as princesas e basicamente dominaram o lugar, encorajadas a viver em um mundo sem homens. Para mim, Um Mundo Sem Príncipes acabou se tornando muito mais interessante que o primeiro livro, claro que boa parte pelo enredo, mas também porque não tinha mais aquela coisa de apresentação de personagens e cenários. 

Eu gostei muito que Soman Chainani mostrou que nenhuma mulher é obrigada a ter um homem ao seu lado para ser feliz, mas se quiser também pode. Ele também mostrou que os príncipes podem ser sensíveis, demonstrar os seus medos e que está tudo bem. Eu amei que o autor escreveu um Conto de Fadas onde meninos e meninas são iguais, e que ambos podem fazer o que quiserem, desde que não invadam o espaço um do outro e que caminhem juntos. E é verdade, pois nenhum gênero é melhor que o outro e temos que cada vez dar o nosso melhor para construir uma sociedade mais digna para todos. 

Gostei bastante dos dois primeiros volumes da série e tudo o que eu tenho vontade é que os direitos dessa história sejam compradas pela Disney, porque daria um filme mágico e super divertido, bem no estilinho Sessão da Tarde que eu adoro: uma escola com alunos bons e maus que na verdade só estão querendo se encontrar, uma amizade que tem de tudo para dar errado — mas mesmo quando dá errado, dá certo —, uma pitadinha de romance juvenil e, claro, um pouquinho de ação que não faz mal para ninguém.

Apesar de cada livro ter um ensinamento, Chainani ainda deixa claro algo bem maior que é comum nos dois primeiros volumes — e provavelmente nos próximos também: o poder da amizade. É a partir da amizade entre Sophie e Aghata, o Bom e o Mau, que a história se desembola e é essa amizade pode ajeitar de uma vez por todas o mundo dos Contos de Fadas. 

Títulos Originais: The School for Good and Evil e A World Without Princes

Autor: Soman Chainani

Páginas: 352 e 320

Tradução: Alice Klesck

Editora: Gutenberg

Livros recebidos em parceria com a editora