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Elsa é uma menina de 7 anos cuja única amiga é a sua avó, que conhecemos apenas por "Avozinha". A Avozinha é uma pessoa muito directa e excêntrica, o que a faz parecer completamente louca às pessoas de fora, nomeadamente os seus vizinhos — que são também os vizinhos de Elsa, já que habitam no mesmo prédio. No entanto, a avó de Elsa morre, vítima de cancro, e deixa uma série de cartas para a neta entregar — cartas que pedem desculpa aos vários moradores do prédio, deixando Elsa numa espécie de caça ao tesouro.

 

Apesar da sinopse mencionar histórias e contos de fadas, não fazia ideia de que esse ia ser um elemento tão forte deste livro que terminei ainda no ano passado. A avó de Elsa passou toda a sua infância a contar-lhe histórias sobre diferentes reinos na Terra de Quase Acordar, com diferentes personagens — que acabam por ser baseadas em histórias reais de pessoas reais, apenas adaptadas para um conto de fadas.

 

É muito interessante ir descobrindo as semelhanças entre as histórias e a vida real junto com Elsa, mas gosto também da dinâmica de Elsa nos contar todas essas histórias, no geral. Existe um risco neste aspecto, claro, já que tenho de referir alguns pontos negativos que sinto que acabam por estar de certa forma relacionados com isso: 1) o livro é um pouco longo demais e sinto que existem várias partes que poderiam ser encurtadas; 2) há momentos em que essas histórias se estendem demasiado, e acabei por sentir que esses momentos me perderam um pouco; 3) em certas partes, podem tornar-se momentos mais infantilizados, embora eu não tenha sentido isso assim tanto, no geral.

 

Apesar destes aspectos, adorei este livro a ponto de achar que este é, até ver, o meu livro favorito do autor, sendo que já li A Man Called Ove e Gente Ansiosa. Achei que o paralelismo com o conto de fadas foi um ponto muito interessante nesta história e permitiu contá-la de um ponto de vista credível de uma criança.

 

Adorei também aquilo que já é habitual num livro escrito por Fredrik Backman (ou, pelo menos, tem sido naqueles que li): saborear uma leitura marcada pelo sentimento de comunidade, de laços que se formam entre pessoas unidas por algo; e conhecer histórias profundas de pessoas que nos começam por ser apresentadas como o comum mortal que, aqui, literalmente são 'apenas' um ou uma vizinha. Acima de tudo, adorei ler este retrato de um processo de luto aos olhos de uma criança. Acho que Fredrik Backman conseguiu traduzir tão bem os sentimentos típicos deste processo do ponto de vista de uma pessoa que ainda não é madura o suficiente para compreender tudo — ainda que Elsa já seja muito madura para a idade noutros aspectos, e uma personagem muito esperta e perspicaz.

 

Acho que Fredrik Backman se está a tornar num dos meus escritores preferidos; e inconscientemente, é um dos poucos autores aos quais volto várias vezes sem perceber — e isto tem de querer dizer algo, não é? Além disso, descobri que uma das personagens vizinhas tem todo um outro livro dedicado a ela; que maravilha, mais um título para a minha lista para ler.

 

Recomendo muito, gostei muito desta história e de conhecer as personagens.

 

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Alguém aqui já leu? Se não, ficaram interessados em ler?