Eu sou totalmente apaixonada por infantojuvenis e sempre que tenho oportunidade, leio algum. Não precisou muito para eu querer desesperadamente ler De Volta a Blackbrick: um tema delicado, a doença de Alzheimer, atrelado a um mistério super envolvente. A história e os personagens são tão cativantes que eu a li em um piscar de olhos, numa sentada.
Cosmo — "que tipo de mãe dá um nome desse para um filho?" — mora com os seus avós. Após a morte de Brian, seu irmão, Cosmo foi definitivamente abandonado pela mãe, que foi morar em Sydney para trabalhar. As coisas poderiam ser até aceitáveis não fosse um detalhe (que de detalhe não tem nada): a cada dia que passa ele vê seu amado avô, Kevin, perder uma batalha para o Mal de Alzheimer.
Em um raro momento de lucidez, Kevin entrega para Cosmo uma chave e dá instruções para que ele encontre os Portões Sul de Blackbrick, onde, segundo ele, o garoto iria encontrá-lo. Tendo prometido ao avô que iria ao menos tentar chegar até lá, apesar de achar que o velhinho realmente estava ficando louco, Cosmo não teve outra alternativa se não pegar um táxi e conferir a veracidade da história do avô. Para sua surpresa, ele realmente encontra Kevin, mas em uma versão muito mais nova. Cosmo vê nessa aventura uma grande oportunidade de modificar alguns eventos futuros para tentar reverter a situação do avô.
Só porque não podemos mais ver alguém não quer dizer que essa pessoa não seja parte de nós. Há aqueles que se foram e morreram, e há aqueles que sequer chegamos a conhecer, e certas coisas a respeito deles ainda assim estão enterradas em nos como se fossem fósseis em âmbar. (p.219)
A narrativa é dada em primeira pessoa sob a visão de Cosmo, que apesar de aparentar pouca idade, é inteligente até demais. Apesar de ser bem racional, foi difícil para o menino ver o avô daquele jeito, tanto que ele não conseguia aceitar de forma alguma. Os sentimentos dele foram retratados de uma forma tão intensa e verdadeira que foi impossível não se colocar no lugar dele, principalmente porque o meu bisavô perdeu uma grande e longa luta para a doença.
O mundo de fantasia criado por Sarah Moore Fitzgerald foi totalmente delicioso de acompanhar. Os personagens são super bem construídos, sem exceção. Gostei, principalmente, da forma como a autora conseguiu interligar o passado ao futuro e como as ações de Cosmo no tempo que ficou em Blackbrick contribuíram passa isso. A única coisa que me deixou super decepcionada foi o destino de Maggie, uma das personagens mais adoráveis que tive o prazer de ler. O pior de tudo foi ver que ninguém fez nada para ajudá-la...
Fazia um bom tempo que um livro infantojuvenil não me cativava tanto. Apesar de ter uma linguagem super simples e própria do gênero e de todos os clichês, é impossível não se apegar a ele. Com certeza De Volta a Blackbrick conseguirá agradar até mesmo os leitores mais instruídos.
Título Original: Back to Blackbrick
Autora: Sarah Moore Fitzgerald
Páginas: 240
Tradução: Glenda D'oliveira
Editora: Galera Record
Livro recebido em parceria com a editora
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