Em 2012, Malala Yousafzai sofreu um atentado a tiro do Talibã que quase tirou sua vida. A paquistanesa tinha apenas 15 anos quando isso aconteceu, mas sua imagem já era conhecida internacionalmente por defender o direito à educação para todas as crianças, especialmente as meninas. O Talibã não gostava do discurso de Malala porque acreditavam que ela pregava uma educação ocidentalizada, ou seja, para eles as meninas não deviam ir à escola. 

Eu já conhecia a história de Malala, mas soube de muito mais detalhes ao ler Longe de Casa, livro em que contou sua jornada como refugiada. Após o ataque do Talibã, ela foi obrigada a deixar sua terra natal no Paquistão e passou a viver em Birmingham, na Inglaterra. Só conseguiu voltar ao vale do Swat em 2018, já com 20 anos de idade, e só de passagem com um grande esquema de segurança. Assim, ao ler Malala: Minha História em Defesa dos Direitos das Meninas conheci todas as situações que a fizeram chegar onde está hoje. 

A jornada de Malala é importantíssima e, portanto, deve ser conhecida por pessoas de todas as idades: nos ensina valores, quebra preconceitos religiosos e culturais e nos inspira. Quando levou aquele tiro, Malala nem imaginaria que ganharia o Nobel da Paz aos 17 anos por seu ativismo pela educação, tornando-se assim a pessoa mais jovem a ser laureada com o prêmio, ou que estudaria na Universidade de Oxford, uma das melhores do mundo. Acredito que, justamente por ser importante, a editora Companhia das Letras tem um livro que narra essa história para cada público alvo diferente.

O primeiro a ser lançado (em 2013) foi a autobiografia escrita em parceria com a jornalista Christina Lamb, Eu Sou Malala, com 360 páginas marcadas por detalhes de sua infância até sua recuperação milagrosa em Birmingham. Em 2015, foi lançada pela Seguinte a edição juvenil de Eu Sou Malala, em coautoria com a também jornalista Patricia McCormick, possuindo uma linguagem mais concisa e fluida. Nesse mesmo ano, a Companhia das Letrinhas lançou Malala, a Menina que Queria ir Para a Escola, com muitas imagens maravilhosas e texto simples, mas ainda muito informativo, elaborado por Adriana Carranca. Na minha opinião, é perfeito para crianças entre 7-10 anos!


Malala e Seu Lápis Mágico foi lançado em 2018 também pela Companhia das Letrinhas e foi elaborado pela própria Malala. Por ser composto de textos mais curtos, é totalmente adequado para crianças mais novinhas, e as ilustrações também são muito explicativas. Longe de Casa (2019) é o único com foco um pouco diferente, porque conta a história de meninas refugiadas de várias partes do globo que contam suas dificuldades de viver em países tão diferentes. É perfeito para jovens e super interessante para ser incorporado à lista literária das escolas, uma vez que apresenta inúmeras culturas, conflitos de diferentes países e inúmeros aprendizados sobre direitos humanos.

A edição infantojuvenil a qual tive contato é a mais recente! Malala: Minha História em Defesa dos Direitos das Meninas foi lançado em dezembro de 2020 e pretende atingir o público que está na transição da infância para a adolescência, aquela idade-limbo entre 10-13 anos, sabe? É cheio de ilustrações lindas de vários momentos importantes que aconteceram na vida da garota, mas também tem muito texto corrido. A narrativa também é muito simples, capta apenas o mais importante de cada período da vida de Malala, mas acredito que seja uma adaptação muito boa da versão original.

Eu gosto muito desse conceito de uma pessoa ser tão importante a ponto de existirem inúmeros livros sobre ela, de forma que qualquer um, qualquer um mesmo, possa conhecer seus feitos, sua trajetória. Me inspiro muito na Malala, porque ela não sente medo de lutar pelo que acredita e nunca desistiu, mesmo depois de tanto sofrimento. Não que eu romantize sofrer, mas que ela é um exemplo perfeito das expressões "nunca deixe de sonhar" e "não abandone seus ideais" ela é.