Alguns livros são escritos com o propósito de tocar o leitor, fazer com que ele reflita, se emocione e, acima de tudo, aprenda. Viver em uma guerra pode até ser uma realidade distante para nós (ou talvez não), mas é a realidade dolorosa e triste de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo. Muitos buscam refúgio em outros países, passam por maus bocados para chegar em um local mais seguro. Passam fome, frio, sentem medo, mas acima de tudo, sentem falta de casa.
A história de Malala — a pessoa mais jovem a ganhar um Nobel da Paz — já é conhecida por muita gente: ela foi obrigada a deixar seu país de origem, o Paquistão, quando foi atacada pelo Talibã. Malala lutava e luta até hoje para que todos, sem exceção, tenham direito e acesso à educação. Em Longe de Casa, Malala deu voz a várias garotas refugiadas de várias partes do globo, que contaram as dificuldades de viver em um país diferente, com culturas diferentes e normalmente cheio de preconceitos.
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| Malala e María, uma das garotas a dar seu depoimento: "Não entendia por que não podíamos voltar para casa. Não entendia que não tínhamos mais casa" |
Após a leitura desse livro cheguei a uma triste conclusão: a gente pouco sabe o que acontece em outros países. Descobri que existem várias regiões em conflito que eu nem imaginava que pudessem estar. Sei muito pouco sobre a guerra, sobre as chacinas nas fronteiras entre países, sobre deixar toda uma vida para trás — casa, escola, trabalho. Acho que poucas pessoas realmente sabem. Em 2017 68,5 milhões de indivíduos foram obrigados a deixar seus lares, todos vítimas de guerras, violência e perseguições. Desses, pelo menos 52% são menores de idade, muitos são separados dos pais.
Eis aí a necessidade de livros como Longe de Casa, que abrem nossos olhos, nos mostram a realidade. Os relatos das meninas, apesar de breves, são extremamente emocionantes. Não sou capaz de escolher a que mais me marcou, porque todas o fizeram. Me questiono muito como algumas pessoas têm o disparate de dizer/pensar que direitos humanos e educação não são importantes. A história de todas essas meninas só mostra o quanto são cruciais e o quanto precisamos lutar para que mais pessoas tenham acesso à esses direitos básicos (mas muito difíceis de alcançar).
Existem várias formas de ajudar, como doar dinheiro ou se tonar voluntário em alguma ONG voltada para refugiados, mas também podemos fazer nossa parte conversando com as pessoas para alertá-las sobre a gravidade desse problema; podemos demonstrar respeito e acolher uma pessoa refugiada, pois ainda existe muita xenofobia em nossa sociedade. Além disso, podemos ajudar comprando esse livro: todas as meninas ganham comissão por contar sua história e toda a renda adicional será revertida pelo Malala Fund para educação de meninas. Juntem-se à força!
Título Original: We Are Displaced: My Journey and Stories From Refugee Girls Around the World
Autora: Malala Yousafzai
Páginas: 184
Tradução: Lígia Azevedo
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora

