Eu já tinha ouvido falar sobre a história de Bana Alabed quando saiu aquela notícia sobre a J. K. Rowling ter enviado os e-books de Harry Potter para a garotinha, após um pedido de sua mãe, Fatemah. Lembro muito bem de que houve uma confusão enorme, porque as pessoas não acreditavam que Bana e Fatemah conseguiam usar a internet no meio de uma guerra. Eu nunca duvidei — até porque, convenhamos, não é lá muito difícil ter acesso à internet —, mas depois de ler Querido Mundo, eu tenho certeza do sofrimento de Bana, sua família e de todas as pessoas que viveram e ainda vivem essa guerra. 

Pior do que ler sobre uma guerra, é ler sobre uma guerra sob o ponto de vista de uma criança. Quando essa criança é real, é mais doído ainda, porque você sabe que tudo aquilo que ela está narrando realmente aconteceu com ela. Apesar de ter tido ajuda de adultos para escrever o livro, dá para perceber pelos fatos citados e pela ingenuidade que só uma criança tem que é a visão dela da história — afinal, quem mais se preocuparia com um par de botas cor de rosa no meio do caos de Aleppo?

A escrita de Querido Mundo é bem simples e fluida, o que permite que a leitura seja rápida. Eu me senti muito incomodada ao ler cada relato de Bana, que geralmente eram curtos, mas muito impactantes. Incomodada porque é frustrante saber que milhares de pessoas inocentes estão morrendo em uma Guerra Civil que está destruindo a Síria. Os textos de Bana e as cartas de sua mãe, Fatemah, mostram o que realmente acontece no país desde 2011, que foi quando a guerra começou. Felizmente Bana e sua família estão em segurança na Turquia, mas quantas outras famílias ainda estão sofrendo?

O que me deixa mais triste é saber que uma barbárie dessa está acontecendo e que eu não posso fazer nada para ajudar a não ser orar para que tudo fique bem. A edição da editora Best Seller traz algumas fotos muito tocantes, como, por exemplo, imagens de Bana e seus irmãos mais novos pedindo por socorro em meio os destroços de sua vizinhança após um bombardeio. Para vocês terem ideia, existe uma foto da casa da menininha totalmente destruída por uma bomba. A gente realmente não tem um pingo de noção do que é perder tudo e continuar lutando. 

Querido Mundo, apesar de ter uma linguagem fácil, está longe de ser uma leitura fácil. Mas eu acredito que essas coisas devem ser mostradas. Apesar de passar por coisas horríveis e ter vontade de desistir em vários momentos, Bana nunca perdeu a esperança, e eu tenho certeza que foi essa força de vontade, essa vontade de mudança, que salvou tantas pessoas.  

Título Original: Dear World

Autora: Bana Alabed

Páginas: 160

Tradução: Claudia Gerpe Duarte

Editora: Best Seller

Livro recebido em parceria com a editora