Assim como em sua série mais famosa, As Aventuras do Caça-Feitiços, Joseph Delaney apresenta vários monstros conhecidos com uma roupagem nova. Mas ele não faz isso com displicência. Ele faz com uma competência sem igual. E consegue que essas mesmas criaturas sejam mais apavorantes do que as originais.

Em Arena 13 ele vai bem além. Ele cria um mundo que não chega a ser distópico, uma vez que ele é nosso mundo, mas no futuro. Algo aconteceu e destruiu toda a civilização. Não existem mais máquinas, nem cidades com seus prédios, nem nada. O ser humano foi jogado nas trevas medievais, onde só consegue aproveitar certas partes da tecnologia.

Leif é um jovem órfão que chega à cidade de Gindeen com o plano de lutar na Arena 13 e vingar a morte dos pais pelas mãos do Hob, uma criatura que aparece de vez em quando para desafiar os lutadores. Ninguém sabe quando o Hob vai aparecer, mas sabem que isso só acontece na Area 13. Para conseguir vencer, Leif tem um cartão que permite que seja treinado por Tyron, o mais competente e famoso treinador da arena.

Quem dá os primeiros passos raramente dá os últimos. 

Tyron leva Leif para morar com ele, como faz com todos os aspirantes a lutadores, e Leif conhece e se apaixona por Kwin, a filha de Tyron, exímia lutadora, mas que não pode competir na arena por ser uma garota. Os dois começam uma relação de amizade, que muitas vezes coloca em risco a permanência de Leif como aluno de Tyron, além de também colocar sua vida em risco.

Leif e Kwin funcionam como casal até certo ponto. Não fica claro se Kwin gosta de Leif, ou se o usa quando precisa. Em diversas partes da história, a vida de Leif é colocada em risco por caprichos de Kwin, que não mede consequências para suas ações e nem para quem vive com ela. Talvez, por isso, não consegui sentir simpatia pela personagem. Já Leif age como todo adolescente e baba pela garota bonita.

Aos poucos, conforme Leif demonstra como pode ser tornar um dos melhores lutadores que já passou pela Arena, conhecemos todo o terror que o Hob representa, bem como as criaturas que ele comanda. Também aprendemos como as lutas funcionam com o uso de lacs, criaturas que parecem humanas, mas que podem ser programadas para obedecer ordens e auxiliar os lutadores nas arenas.

Os detalhes fornecidos por Delaney para as lutas com o uso dos lacs são muitos, mas todos têm suas funções para entendimento de como funcionam as lutas. No início do livro, temos um manual das regras dentro da arena; e no fim do livro, temos um glossário. Isso acaba sendo indispensável para o leitor.

As lembranças fazem de nós o que somos, moldam a nossa consciência e dão uma direção às nossas vidas. 

Vários detalhes são obscuros e não são explicados neste primeiro volume. Como o mundo ficou daquela forma? Como o Hob, após ser morto, consegue voltar à vida com um corpo igual ao que perdeu? Por que ele precisa sugar o sangue de mulheres? Como ele comanda as outras criaturas? Por que o hob e os lacs foram criados pelos militares? Os lacs podem pensar por eles próprios? O que existe além da grande muralha que separa o mundo onde Leif mora? Quem vive além dela?

Enfim, são muitos os mistérios que prometem ser revelados com o avançar da série. E Delaney esconde as respostas de forma a deixar o leitor ávido para conseguir ler os próximos volumes. Eu estou. Muito!

Título Original: Arena 13 

Autor: Joseph Delaney

Páginas: 320

Tradução: Stephania Matousek

Editora: Bertrand Brasil

Livro recebido em parceria com a editora