Darkmouth é a última das Vilas Flageladas que deverá ser defendida com unhas, dentes e dissecadores. Para isso, Finn deverá proteger sua cidade com suas habilidades de Caçador de Lendas a fim de manter a paz na vila e obter seu nome de carreira. Enevoando situações de conflito com uma narrativa inebriante, Shane consegue dar um novo aspecto à saga do herói.
As Lendas viveram em paz com os humanos por muito tempo, até que todas as Vilas Flageladas foram destruídas em uma extensa guerra. A última delas, Darkmouth, ainda é ocasionalmente atacadas por sua ganância. Cabe à família de Finn defender a cidade, assim, cada um de seus antepassados resguardou a cidade a seu tempo e a vez chega do garoto franzino de 12 anos. Entretanto, Finn prefere cuidar dos animais e sonha em ser veterinário. O desenrolar do protagonista ao tentar conciliar sua aversão pelo ofício e a manutenção da atividade secular de sua família é uma trama renovada do gênero com elementos que me recordaram o cavalheirismo medieval.
Na verdade, não são monstros, não mesmo. Eles podem parecer monstruosos. Os moradores locais podem se referir a eles como monstros. Mas, nas palavras certas, eles são Lendas. Mitos. Fábulas.
Dada a hereditariedade das caçadas às Lendas, Finn é treinado diariamente por seu pai para executar golpes e lutas com perfeição. Isto, obviamente, torna seu dia a dia diferente, mas a visualização em terceira pessoa me fez sentir como um membro de sua sala de treinamento, do Longo Corredor onde ficam as antiguidades e retratos de Caçadores de sua família e da cidade em seu âmbito mais sombrio.
A importância das Lendas nesse contexto também merece destaque. Ao se encaixarem em momentos de calmaria dando sustos no leitor ou aparecendo nos momentos de estudos ou diálogos, as Lendas também tornam-se personagens de participações curtas e alvoroçadas. A narrativa realça cada um de seus detalhes juntamente com as ilustrações, tornando a imaginação mais fácil para o público-alvo do livro.
Aliás, a diagramação está impecável desde a capa. O título é texturizado na capa, as orelhas são ilustradas, bem como os inícios de capítulos, as lendas, os mapas e as armas. O traço é lindo e todos os desenhos são do mesmo artista conceituado, James de la Rue. Além disso, existem algumas páginas do Guia Conciso do Mundo dos Caçadores de Lendas.
Apesar de reservar muitos elogios ao livro, confesso que não superou minhas expectativas. Apesar de ser um livro infanto-juvenil, não acredito que isso justifique tamanhas lacunas incoesas e diálogos birrentos, bem como personagens inapropriadamente infantis, como o pai de Finn. Também acredito que a narrativa em primeira pessoa casaria melhor com o propósito do livro.
Mesmo com suas imperfeições, Darkmouth merece ser lido. Não é o novo Percy Jackson, mas possui alguns diálogos engraçados, cenas de combate bem descritas, uma diagramação impecável e uma fluidez incrível na ligação dos acontecimentos. Embora seja adepta de uma mitologia ao pé da letra, gostei como Shane Hegarty trouxe sua história de uma forma bem contada sobre monstros que invadem nosso mundo e um anti-herói.
Título Original: Darkmouth
Autor: Shane Hegarty
Páginas: 336
Tradução: Bárbara Menezes de Azevedo Belamoglie
Editora: #irado
Livro recebido em parceria com a editora

