Corte de Asas e Ruína fecha a trilogia que conta a história de Feyre, sucedendo

Corte de Espinhos e Rosas e Corte de Névoa e Fúria

. O terceiro volume da trilogia começa onde o segundo terminou, com Feyre infiltrada na Corte Primaveril. Com a guerra a caminho, Feyre, Rhys e toda a Corte Noturna estão buscando aliados e tentando enfraquecer o inimigo.


Muitas e muitas outras intrigas são incluidas à trama do livro e a complexidade da história é um dos pontos altos. São tantas vertentes, tantos personagens, planos de ação e acordos que é impossível parar de ler. Feyre nunca esteve tão poderosa e independente, o que é bom. Porém, em alguns momentos, sua insistência em agir sozinha beira a imprudência.

A narrativa do livro é minuciosamente descritiva, sem ser cansativa, e nos faz sentir imersos na história. A constante aproximação da batalha dá ao livro um clima tenso e sombrio. Criaturas que já conhecíamos dos outros livros retornam e novas criaturas aparecem e isso é uma das coisas que mais gosto nessa trilogia: a forma como a autora insere essas criaturas, lenta e misteriosamente, nos fazendo implorar por maiores informações. E, felizmente, ela não nos decepciona e nos dá mais informações.

Todas as negociações, discussões, debates e reuniões que precedem a batalha foram muito interessantes para mim. As intrigas e conflitos pessoais, assim como as questões políticas e territoriais, deram um ar mais adulto ao livro e tornaram a história mais madura. De todos os volumes dessa trilogia, Corte de Asas e Ruína é o livro com o maior número de cliffhangers, Feyre está sempre em alguma situação extrema, de vida ou morte, e nós, ficamos o livro todo roendo as unhas de tanto nervosismo.

Eu gostei muita da forma como alguns personagens foram reapresentados nesse livro, sem aquela ideia juvenil de mocinhos e vilões, aqui (quase) todos são retratados de forma mais humana, com qualidades e defeitos, erros e acertos, orgulhos e arrependimentos. Até a própria Feyre deixou de ser a mocinha perfeita e teve de reconhecer e enfrentar seus erros.

Rhys e Feyre continuam mantendo uma parceira de igual para igual e me pareceu que a autora fez um esforço tremendo para fazer de Rhysand um cara perfeito. Acho que faltou um pouco mais de humanidade no personagem. Pra ser sincera, cansa ter um personagem tão perfeito, que nunca erra, nunca perde a paciência, nunca diz o que não deveria ter dito e nunca age de forma egoísta ou simplesmente idiota.

O próprio casal principal é um pouco cansativo nesse sentido, Feyre e Rhys estão sempre muito felizes e unidos e orgulhosos um do outro, nunca brigam, nunca discutem e nunca discordam. Eu gostaria de ter visto os dois sendo retratados de forma mais realista. Afinal, nenhum casal está bem o tempo todo, muito menos em meio a uma guerra.

Este parágrafo trará comentários a respeito dos capítulos finais do livro. Portanto, se você ainda não leu Corte de Asas e Ruína, pule para o último parágrafo da resenha. As cenas finais da batalha são incríveis e me lembraram muito as cenas de batalha de O Senhor dos Anéis e Game of Thrones. São cenas bem narradas e conseguem manter a tensão do início ao fim. Porém, acho que a autora poderia ter sido um pouco mais ousada quanto ao saldo final de mortos em combate. Afinal, estamos falando de uma grande guerra. Era de se esperar que mais personagens tivessem morrido, inclusive, alguns dos protagonistas.

Corte de Asas e Ruína me fez vibrar, me deixou tensa, cumpriu com o que prometeu e, apesar das ressalvas, satisfez minhas expectativas. A edição segue o padrão das edições anteriores e figura entre os livros mais bonitos da minha estante.

Título Original: A Court of Wings and Ruin

Autora: Sarah J. Maas

Páginas: 687

Tradução: Mariana Kohnert

Editora: Galera Record

Livro recebido em parceria com a editora