Thomas é um menininho de quase 12 anos e leva uma vida quase normal, não fosse um detalhe macabro  sobre sua família: o pai e ele roubam túmulos. Sabe aquelas joias e outros bens preciosos que os mortos insistem em levar com eles? Pois é, essas coisas são o ganha-pão dos Marsden. Tudo na casinha de Thomas é limpo e organizado, e além de tudo ele é uma criança muito amada, principalmente pela mãe. 

Em uma noite como todas as outras em que sai com seu pai para cavar os túmulos, Thomas encontra um com a terra bem fofa, como se o corpo estivesse ali há pouquíssimo tempo. O que Thomas encontrou naquele buraco, sem caixão nem nada, virou sua vida de cabeça para baixo: um menino exatamente como ele, com a mesma mancha de nascença, a mesma idade, o mesmo rosto. A partir daí, o protagonista resolve procurar a verdade sobre sua existência e do seu estranho "irmão gêmeo".

O livro, narrado em terceira pessoa, acompanha um personagem muito curioso e sedento por respostas. O enredo é muito interessante e chamativo, porque tem uma pitadinha de suspense que deixa a gente muito curioso. Não é só Thomas que quer saber sua verdadeira origem e entender toda essa esquisitice de um irmão gêmeo, até então desconhecido, morto. Aí que entra a magia, que é uma coisa que eu amo em livros infantojuvenis.

As fadas sempre tiveram umas às outras, pelo menos. Proximidade além da conta, pode-se argumentar. Entre sua própria espécie. Já Thomas não teve nem uma coisa nem outra; ninguém em nenhum mundo sobre quem pudesse dizer o mesmo. 

Não sabemos muito sobre o mundo das fadas em Thomas e Sua Inesperada Vida Após a Morte por diversos motivos que não posso contar, mas a história delas em si é muito legal. São criaturas formidáveis e que sofrem muito em uma Londres Vitoriana, que ao contrário do lugar de origem desse povo, é muito bem retratada. Dá para imaginar direitinho como era a aparência da cidade.

Apesar de ser uma história que fala sobre o poder da amizade e do amor, da importância da família e do sentimento de empatia, Thomas e Sua Inesperada Vida Após a Morte tem um grande defeito. O início é muito, muito lento, enquanto passa na velocidade da luz da metade para o final. Isso significa que que não há muita ação e as pistas são desvendadas muito facilmente, nada muito elaborado. Não acho que a literatura infantojuvenil precise ser assim tão simplificada.

Ademais, é uma história muito fofa e ágil, que apresenta vários conceitos muito bonitos ― bondade, empatia, simplicidade ― de forma leve, além de falar sobre as fadas de uma forma completamente diferente do que estamos acostumados. É perfeito para crianças que estão entrando no mundo literário, já que não exige muito do leitor.

Título Original: The Accidental Afterlife of Thomas Marsden

Autora: Emma Trevayne

Páginas: 240

Tradução: Álvaro Hattnher

Editora: Seguinte

Livro recebido em parceria com a editora