A Casa das Sete Mulheres é, sem sombra de dúvidas, um clássico da literatura brasileira. Leticia Wierzchowski narra com detalhes esplendorosos a Gerra dos Farrapos — que durou dez anos, de 1835 a 1845 —, sob os olhos das sete mulheres da família do general Bento Gonçalves: Ana, Antônia, Caetana, Perpétua, Rosário, Mariana e Manuela. A obra faz parte de uma trilogia e foi relançada no ano de 2017 pela editora Bertrand Brasil em uma edição de encher os olhos.
Sabendo que o perigo estava por vir devido a Revolução, Bento Gonçalves decidiu reunir as mulheres de sua família na Estância da Barra, uma fazenda distante onde, imaginava ele, elas poderiam viver tranquilas enquanto durasse a guerra. O que ninguém imaginava é que essa tormenta duraria dez longos anos. Vivendo no meio do nada, as sete mulheres só tinham umas as outras como companhia, além das crianças, dos escravos e da angústia que sempre as acompanhava, visto que as notícias só chegavam esporadicamente.
Em minha opinião, apesar de todas as mulheres terem um certo protagonismo na história, a mais importante delas era Manuela, uma jovem cheia de carisma e sonhos, mas muito mais inteligente e esperta do que todas as pessoas imaginavam — principalmente porque ela teve uma "premonição" da guerra. Manuela também se torna o foco de um dos romances mais aclamados da literatura, com Giuseppe Garibaldi. Vale lembrar que tal romance é muito bem inserido no enredo, sem parecer que foi enfiado ali só para dar um gás na história.
A Casa das Sete Mulheres possui uma narrativa cheia de detalhes, que envolve o leitor de uma forma única. A única coisa que talvez incomode o leitor é a monotonia dessa espera que parece durar uma eternidade. Digo isso porque em alguns momentos eu me sentia exausta de ter que esperar, quase como uma das personagens do livro, e uma ansiedade tomava conta de mim, como se fosse o meu marido que estivesse comandando uma revolução. Mas, como todo bom livro, acredito que essa ambientação foi feita para causar esse desconforto, para que a gente realmente sentisse também todo o sofrimento.
A narrativa, apesar de ser um pouco mais formal do que estamos acostumados, é muito fluida e fácil de entender. Isso para mim só prova que é possível inserir clássicos, por exemplo, na lista de leitura de uma turma do ensino médio sem ter a necessidade daquela linguagem tão complicada que afasta os adolescentes da literatura brasileira. Os capítulos têm a visão de vários personagens, e trechos do diário/caderno de Manuela também são usados o tempo inteiro para contextualizar o leitor.
Leticia Wierzchowski conseguiu com maestria intercalar realidade e ficção em A Casa das Sete Mulheres, uma própria representação da literatura do nosso país. A obra foi adaptada pela Rede Globo em 2003 através de uma minissérie que teve cinquenta capítulos. A adaptação fez tanto sucesso que foi reprisada em 2006 e, ainda hoje, é possível encontrá-la completa em DVD.
Título Original: A Casa das Sete Mulheres
Autora: Leticia Wierzchowski
Páginas: 462
Editora: Bertrand Brasil
Livro recebido em parceria com a editora
