A Garota Dele, até onde eu sei, é o segundo volume da série Amor em Jogo. Eu não li esse primeiro livro, e apesar de os protagonistas dele aparecerem aqui, você não precisa necessariamente lê-lo para entender a história contida no segundo livro. Sim, o casal protagonista é outro. Adoro livros assim, sério. Fiquei super animada para ler algo da tão famosa Simone Elkeles, mas acabei me decepcionando um pouco (talvez muito).
Já gostaria de avisar que essa resenha terá muitos spoilers, portanto, se você tem interesse no livro, pare por aqui mesmo. Se não liga muito de saber bem metade da história, continue porque eu preciso bastante desabafar. Em A Garota Dele, conhecemos a história de Victor Salazar, que é aquele tipo de personagem briguento que a gente adora mesmo assim, porque tudo o que ele faz é para proteger as pessoas que ama; e Monika Fox, que além de ser sua melhor amiga que namora o Trey, o melhor amigo, é sua paixão desde que ele consegue se lembrar. Claro que ele mantém isso em segredo né, porque é um pecado gigante se apaixonar pela namorada do melhor amigo (estou sendo irônica, só para constar).
Sempre fui uma boa menina, aquela que segue ordens e não causa tumultos. E tudo que consegui com isso foi o status de menina mimada. E um rótulo de incapaz dos meus pais.
Até aí tudo bem. Eu entendo que essas coisas acontecem mesmo, afinal, a gente não pode controlar o coração, né? Quem dera se pudéssemos. Mas o que me irritou bastante, em primeiro lugar, foi o fato de a Monika estar claramente apaixonada pelo Vic também e os dois tentarem esconder isso só para não serem taxados de politicamente incorretos. Gente, vamos se amar, por favor! Para completar, a Simone Elkeles cria um relacionamento abusivo, onde Trey faz um monte de coisa ridícula, faz a Monika se sentir culpada pelos erros dele e o pior, quando ela finalmente percebe o babacão que que namora e finalmente termina com ele, o Trey simplesmente pressiona a menina para manter o término em segredo só para manter as aparências. O que me deixou chateada de fato foi toda essa coisa de manter as aparências, mas gostei do fato de ela retratado isso na história, porque infelizmente acontece o tempo todo e na maioria das vezes a gente não sabe pelo que a menina está passando.
Mas, para mim, o fim da picada foi a forma como a autora tirou o Trey do caminho para poder focar no romance entre Monika e Vic. Acho que ela podia ter desenvolvido a história de diversas formas diferentes, mas ela simplesmente matou o personagem. O que eu senti foi que Elkeles forçou esse drama a mais só por ser o caminho mais fácil. Por exemplo, se Monika tivesse terminado o relacionamento com Trey pelo simples fato de ele estar a traindo — que para mim já é motivo o suficiente —, ela ainda teria que lidar com o fato de, apesar de estar cem por cento errado, Trey não aceitar de forma alguma o relacionamento da ex-namorada com o melhor amigo. Não sei se entenderam o que eu quis dizer.
Algumas vezes você tem que sair da sua zona de conforto para se sentir viva. [...]
Além do mais, fiquei super decepcionada com a forma que a autora aproximou o novo casal. É claro que a gente já sabia que os dois ficariam juntos no final, não é mesmo? Mas poxa vida, não precisava ser tão forçado! Poderia ter tido um desenvolvimento maior — tirando aquela coisa da culpa né, que é totalmente natural e aceitável —, mas ficou mais parecendo que ambos os personagens estavam carentes demais, sabem?
Só que, felizmente, não posso tirar o mérito maior da autora: a sua escrita. Ela é tão fluida e tão bem construída que eu não pude deixar de achar o livro satisfatório. Simplesmente cheguei a uma conclusão, que eu tenho uma "maturidade literária" grande demais para ler certos tipos de livros. Se tem uma coisa que eu tenho certeza é que eu teria amado esse livro mais que tudo se eu tivesse lá para os meus 15 anos de idade, ou se eu não tivesse lido tantos livros do gênero...
Título Original: Wild Crush
Autora: Simone Elkeles
Páginas: 300
Tradução: Fabienne Mercês
Editora: Globo Alt
Livro recebido em parceria com a editora
Compre aqui
