Não sei dizer o que me fez escolher ler Cartas Secretas Jamais Enviadas, de Emily Trunko, mas quando peguei o livro, sem nenhuma perspectiva sobre o que me esperava, senti como se tivesse levado um soco na boca do estômago. Fiquei fascinada e atordoada com o impacto que cada carta exerceu sobre mim e com a quantidade de emoção impregnada em cada linha. Há uma sinceridade tão explícita nas palavras que chega a doer.
O livro começa com uma apresentação de Emily Trunko. Ela explica quem é, conta que criou um Tumblr Dear My Blank para compartilhar suas próprias cartas e que abriu espaço para que as outras pessoas pudessem dividir um pouquinho de si. A partir daí, o blog explodiu e ela passou a receber cartas sobre tudo, desabafos sobre perdas e sobre amores, traições e amizades, ensinamentos e pedidos de socorro, tudo publicado no blog anonimamente. Algumas dessas cartas, mais tarde, dariam origem ao livro.
É interessante como parece fácil desabafar com um pedaço de papel, sem ninguém para julgar, e saber que provavelmente a pessoa para quem você escreveu talvez nunca leia aquilo. Emily Trunko criou uma forma de ajudar as pessoas a falarem, a desabafarem, e é perceptível o quanto cada carta daquela é verdadeira, porque no anonimato é possível despir as máscaras, contar os segredos mais ocultos e se tornar absurdamente exposto, sem se expor de verdade. E sem as máscaras diárias, aquelas cartas se tornaram quase cruéis de tão verdadeiras, expondo feridas e fraquezas, medos e arrependimentos.
O livro é todo ilustrado e decorado nos tons de azul, branco, preto e verde da capa, o que, junto da capa dura, faz da edição um trabalho lindo. Só por isso eu já gostaria de ter um exemplar na estante, mas depois de ler o livro, quero ter para poder revisitar aqueles sentimentos em outros momentos da minha vida. Além disso, a obra é dividida por temas: Querido eu, Querido Mundo, Amor, Amigos, Família, Coração Partido, Amor não correspondido, Traição, Perda e Obrigado.
No livro, há cartas com apenas cinco ou seis palavras, enquanto outras ocupam mais de uma página. Não é o tamanho da carta, porém, que determina o tanto de emoção que elas podem trazer. Todas têm importância e significado e servem para fazer o leitor enxergar que, não importa por qual dificuldade está passando, ele não está sozinho no mundo, pois alguém também se sentiu da mesma forma em algum momento.
Eu amei Cartas Secretas Jamais Enviadas e fiquei emocionada com diversos textos, tanto os curtos quanto os longos, refletissem eles sentimentos bons ou ruins. O livro é um presente de sinceridade, que abre feridas e faz doer, mas ao mesmo tempo traz um sentimento de conforto que poucas leituras me trouxeram na vida.
Título Original: Dear My Blank
Organização: Emily Trunko
Páginas: 200
Tradução: Fabricio Waltrick
Editora: Seguinte
Livro recebido em parceria com a editora


