Já imaginou se você estivesse na mira de um serial killer, e ele te dissesse exatamente qual o dia e hora de sua morte? Pois é isso que acontece com o detetive William Fawkes — mais conhecido como Wolf — que após um ano conturbado dentro de um hospital psiquiátrico, volta à ativa com um caso e tanto em suas mãos.
Seis pessoas foram mortas, desmembradas e costuradas para formarem uma espécie horripilante de boneco de pano. Um corpo grosseiramente estruturado e pendurado por fios de náilon no teto de um apartamento em frente ao prédio que Fawkes mora, deixando clara a mensagem do assassino, que premeditou tudo aquilo com um único propósito: alcançar o detetive. E tudo isso sem uma única gota de sangue na cena do crime.
Enquanto isso a repórter Andrea Hall, ex-mulher de Wolf, recebe fotos do corpo e uma lista das próximas seis vítimas, sendo a última delas William Fawkes. Assim, a detetive Emily Baxter e o estagiário Edmunds começam uma corrida contra o tempo para desvendar quem é o assassino, e também para proteger todas as próximas vítimas, enquanto Wolf se sente cada vez mais perturbado e culpado por toda a barbárie que vem acontecendo.
Você mata pelo mesmo motivo banal que leva todos os seus semelhantes a matar: é um fraco que precisa se sentir forte!
Boneco de Pano é o livro de estréia de Daniel Cole, e teve uma recepção muito boa do público, porém senti que o autor não conseguiu manter o ritmo do livro o tempo todo. As cenas de ação ficaram esquecidas em determinados momentos, bem como o fato de descobrirmos ou não quem é o serial killer, que simplesmente passa a não ter mais a devida importância. Portanto, o tempo urge e a equipe se foca muito mais em salvar as vítimas e encontrar o que as conecta, do que encontrar o culpado (que cá entre nós, pouparia muito esforço de todos).
Outra coisa que pode incomodar um pouco o leitor é o fato de que, muito repentinamente, o foco passa de Wolf para Edmunds, que vem a ser a mente pensante do grupo — mesmo sendo o novato do qual todos fazem chacota e teoricamente o alívio cômico da história — e assim, Wolf passa a ser somente mais uma vítima, ao invés de ser o detetive de personalidade forte o qual foi construído para ser.
Ao contrário do que Stephen King faz em Mr. Mercedes por exemplo, dividindo capítulos entre o mocinho e o vilão, as pistas para descobrir quem é o assassino em Boneco de Pano não são entregues basicamente até o finalzinho da história, e esse é outro ponto que pode deixar o livro maçante, ou mais interessante para alguns.
Nenhuma daquelas pessoas fazia ideia do monstro que passava por elas: um lobo em pele de cordeiro.
Espera-se que, já que Daniel Cole aparentemente quer continuar escrevendo sobre William Fawkes, sua escrita só tenda a melhorar e seja aperfeiçoada, pois a receita ele já tem. Apesar dos pontos citados, recomendo Boneco de Pano para todos os fãs de thrillers policiais, e também para os que gostariam de mergulhar nesse mundo!
"Ah, o destino... sempre tão cruel."
Título Original: Ragdoll
Autor: Daniel Cole
Páginas: 336
Tradução: Marcelo Mendes
Editora: Arqueiro
Livro recebido em parceria com a editora
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