Confesso ser uma grande amante dos romances policiais britânicos e ao mesmo tempo uma leitora ávida de Sidney Sheldon. Mas há muito não encontrava uma trama tão bem desenvolvida e emaranhada quando a do francês Michel Bussi. Ao ver o burburinho dos leitores novamente acerca de uma publicação do escritor no Brasil, após vários anos do lançamento de O Voo da Libélula me senti totalmente entregue à curiosidade e resolvi encarar uma obra diferenciada.
Num vilarejo viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; e a terceira egoísta.
Em Ninfeias Negras, somos apresentados logo no início a um resumo do que se passa na pequena cidade de Giverny onde até hoje são eternizados os famosos Jardins de Monet. São nos apontados elementos reais de tempo e espaço, bem como os personagens fictícios que desenrolarão a trama. Sem dúvidas, tudo é bonito e com aroma floral mesmo na imaginação.
Três mulheres, um assassinato, a liberdade. Uma senhora fofoqueira e misteriosa, uma professora que nunca traiu o marido até então e uma jovem pintora estão em busca de sua liberdade da pequena cidade que sufoca os seus dias e expectativas. Entretanto, existe um prazo para que apenas uma destas possa deixar Giverny e para isso, as outras duas precisavam morrer. E é nesse cenário mórbido que rompe um assassinato de uma personalidade da região, mesclando-se ao conflito e eletrizando as cenas.
É inegável a capacidade de Bussi de pintar cenas de crime com leveza e simplicidade, abandonando o jeito escancarado de Sheldon, por exemplo. As personagens são perspicazes e a narrativa em primeira pessoa pela senhora mais velha. Suas cenas cotidianas se entrelaçando aos mistérios do vilarejo dá uma conotação agridoce às mais terríveis atrocidades que ali acontecem. A capacidade do autor em de prender em linhas descritivas tão bem escritas nos fazem esquecer a confusão por trás e nos revela em seguida todas as pistas que estavam sob o nosso nariz, de uma forma pontual, certeira e surpreendente.
Bom, mas nem só de flores é Ninfeias Negras. Senti que por vezes foi difícil adiantar a leitura devido a narrativa maçante e arrastada, assim como a divisão do livro pareceu fora de contexto em alguns momentos. Mesmo assim, gostei bastante da originalidade, que supera todos os defeitos. A forma como as três protagonistas se entrelaçam para criar um desfecho de tirar o fôlego, a ausência do clichê do detetive e a ambientação incrível me ganharam página a página.
Por fim, estou feliz por descobrir um romancista policial à altura dos meus favoritos. Mas recomendo-o para aqueles que preferem narrativas mais poéticas e lapidada, já que pode ser cansativo àqueles acostumados a algo mais direto. Ainda assim, será difícil decepcionar-se com Michel Bussi.
Título Original: Nymphéas Noirs
Autor: Michel Bussi
Páginas: 352
Tradutor: Fernanda Abreu
Editora: Arqueiro
Livro recebido em parceria com a editora


