Eu morria de vontade de ler A Cinco Passos de Você, ao mesmo tempo em que tinha receio do enredo ser muito parecido com A Culpa é das Estrelas e acabar me trazendo uma decepção desnecessária. Não que eu não goste do troféu de John Green, muito pelo contrário, só penso que é extremamente difícil inovar em sick-lits, afinal, se os protagonistas têm doenças crônicas graves, é inevitável que uma tragédia aconteça no fim.
Começo esse texto feliz, porque mesmo repleta clichês do gênero que, confesso, eu adoro, fui surpreendida positivamente pela trama. Em primeiro lugar, os autores apresentam uma doença pouco conhecida, que atinge uma pequena porcentagem da população mundial: a fibrose cística (FC). É uma doença hereditária, ou seja, ambos os pais devem possuir o gene, ainda que não tenham FC, para que seus filhos nasçam com ela. A FC faz com que seus portadores produzam secreções mais espessas que o normal, que se acumulam nas glândulas exócrinas do corpo, atingindo principalmente o pulmão e o pâncreas.
A Cinco Passos de Você narra a história de dois adolescentes, Stella e Will, que convivem com essa enfermidade. Consequentemente, internações hospitalares são frequentes na agenda dos dois, e é em uma dessas visitas que eles se conhecem e o inevitável acontece: eles se apaixonam. Podia ser um lindo romance entre dois adolescentes condenados à morte, mas uma curiosidade sobre a FC é que duas pessoas com a doença devem manter uma distância segura uma da outra, cerca de dois metros, para evitar infecções cruzadas. Para piorar, Will contraiu uma bactéria chamada Burkholderia cepacia, que é muito resistente e difícil de ser tratada, o que significa que, se Stella pegar a bactéria, suas chances de conseguir um transplante de pulmão serão anuladas.
Eu li esse livro todo de uma vez, primeiro porque eu queria saber o que ia acontecer com os protagonistas, segundo porque a escrita é muito fluida. Rachael Lippincott, Mikki Daughtry e Tobias Iaconis acertaram muito em revezar o ponto de vista entre Will e Stella, esquema que, na verdade, é muito comum, mas raramente falha. Além desses dois personagens, conhecemos também alguns outros que são essenciais para o desenvolvimento da trama, como Poe, melhor amigo de Stella que também tem FC, e Barb e Julie, enfermeiras que cuidam da ala em que os meninos ficam internados.
Bom, como todo livro de drama que envolve doenças mortais, existem muitas, muitas passagens tristes. E não estou falando só da iminência de morte que ronda qualquer pessoa que nasce com doenças raras, mas também de situações familiares muito tensas e momentos bonitos que valorizam a importância da família e dos amigos nos momentos mais difíceis. Coisas do tipo não faltam em A Cinco Passos de Você, então, se vocês forem sensíveis como eu, vai ser praticamente impossível segurar o choro. Estejam preparados para isso, rs.
Mesmo tendo me apaixonado pela história e pelos personagens, que de modo geral são muito empáticos, devo alertá-los que não existe uma grande reviravolta que pega o leitor de surpresa. A gente sabe exatamente o que vai acontecer e fica só esperando esse momento chegar. Porém, a forma como os autores conduzem a narrativa é muito bonita, é muito emocionante, então acaba que supre as expectativas, sabem? Ah, e apesar de realmente possuir algumas semelhanças, A Cinco Passos de Você não tem nada a ver com A Culpa é das Estrelas, ok?
A adaptação cinematográfica, que foi lançada em 2019 e está atualmente disponível no Amazon Prime Video, é bem fiel à obra original, e quando eu digo fiel, entendam como muito fiel mesmo — assisti ao filme com o livro ainda muito fresco na cabeça, então notei, inclusive, falas muito parecidas. Haley Lu Richardson e Cole Sprouse dão vida à Stella e Will, respectivamente, e eu posso não ser a mais entendida do mundo sobre o assunto, mas achei a atuação de ambos excelente. Eu realmente consegui enxergar os personagens neles e isso é muito satisfatório.
É muito divertido, digamos assim, pensar que a trama se passa praticamente num mesmo cenário "genérico", que é o hospital, e ainda assim consiga ter cenas tão marcantes, né? A verdade é que eu senti que as coisas estavam acontecendo de verdade... Tipo, eu não fiquei pensando o tempo todo "tudo bem, isso é só um filme, eles são só atores", é como se tudo fosse real.
Eu achava que tinha chorado o suficiente lendo o livro, que não tinha como chorar mais, até o filme começar, rs. Ele tem aproximadamente 1h50min de duração e eu chorei o tempo todo, não tô exagerando. Então é aquela coisa, a adaptação me trouxe sentimentos com uma força que o livro não conseguiu trazer e eu já tinha quase certeza que ia gostar mais dela até chegar no final, basicamente os últimos cinco minutos...
É óbvio que eu entendo que é uma adaptação e que não dá para colocar tudo exatamente igual e também tem toda a questão da liberdade criativa, mas precisava mudar justo o final? Claro que não vou contar o que acontece, mas quero que vocês saibam que o final do livro é diferente e infinitamente melhor, e que foi justamente esse final que fez com que eu desse cinco estrelas para a obra. Nossa, vocês não imaginam minha decepção quando o filme acabou e eu percebi que a última cena do livro não apareceria. Esperei passar todos os créditos, juro!
Acabou que eu deixei de gostar um pouquinho do filme por causa disso, um final que, sei lá, acrescentaria no máximo cinco minutos... Mas tudo bem, a questão é que ambos, adaptação e obra original, passam uma mensagem muito bonita sobre a importância das relações humanas, sejam elas amorosas, familiares ou de amizade.
Título Original: Five Feet Apart
Autores: Rachael Lippincott, Mikki Daughtry & Tobias Iaconis
Tradução: Amanda Moura ✦ Páginas: 288 ✦ Editora: Alt

