Quando postei a primeira foto desta leitura, foi um alvoroço de perguntas. Confesso que não é o livro mais adulto e bem escrito que já li, mas certamente é um bom entretenimento, provocador e várias risadas e reflexões para qualquer pessoa, independente de sua idade. 

Ronnie Adams odeia Boston Boys. Isto é um fato consumado e nada tiraria dela este sentimento. O que ela não sabe é que sua própria mãe passara os últimos meses agenciando e cuidando do trio de ouro da TV estadunidense. Como primeiro baque, a protagonista recebe a notícia de que deverá dividir sua casa com o mais prepotente do grupo musical: Mason McDougal. A partir daí, virão vários outros baques, aventuras e confusões.

Não nasci para brilhar, mas para ajudar os que têm essa vocação. Foi o que fiz a minha vida inteira, e era o que eu ia fazer agora. Para fechar aquela noite especial com chave de ouro, engoli toda a minha timidez e medo de encarar as fãs, e fiz como mamãe pediu: abri a porta dos bastidores e subi ao palco. (Boston Boys)

Sem dúvidas, amei e odiei Ronnie, mas acredito que é isso que acontece quando o personagem é humano. Isto é, Ronnie é uma estudante com uma rotina normal até o surgimento destes garotos. E mesmo com isso, ela não se tornou uma nova celebridade (pelo menos não no primeiro volume), o que de fato provavelmente aconteceria ao vivo e em cores. Com seus cabelos ruivos e beleza fora dos padrões, ela tem problemas de autoestima, mas quem não tem? São de leve e não a tornam um patinho feio, mas um cisne que não se arruma todos os dias por ter uma rotina corrida. Ou seja, um perfil muito coeso com o de milhões de garotas secundaristas. 

Nem só de Ronnie se faz a série. Outros personagens icônicos não deixam de marcar o coração de quem lê. Começando pelos Boston Boys, temos Mason, Henry e Ryan. Mason é super arrogante no começo, mas se torna leal e amigo no final, apesar de seu desejo incessante por limonada e brincadeiras fora de hora. Henry já aparece dando sopa para a ruivinha, que o enrola durante o primeiro volume, mas acaba com uma relação amigável com o mesmo que é super aluado e relapso na escola. Ryan... ah. O mais fofo do trio que sempre aguenta os pitis da Mary, irmã de Ronnie, e é um amorzinho com todos. 

Para completar o elenco do seriado e encher o enredo de confusão temos Karen Sammuel. Uma verdadeira atriz com ar de socialite e uma marra pra ninguém botar defeito, podendo ser facilmente descrita pela música Burguesinha, de Seu Jorge. Apesar disso, juro que em alguns momentos eu gostei bastante dela. Vai entender! O mesmo aconteceu com a mãe de Ronnie, com aquele jeitão típico de mãe animada com coisas "adolescentes".

Se "compreensão de sentimentos" fosse uma matéria na escola, eu com certeza estaria de recuperação. (Boston Boys 2)

Unindo-se aos personagens bem trabalhados, Giulia conseguiu manter a fluidez em primeira pessoa com pequenos mistérios, boatos de revistas e sites de fofoca, reviravoltas e uma ótima divisão dos capítulos. Além disso, o livro é super bem humorado, bom pra espantar a bad. A diagramação também é toda linda, com vários detalhes internos na contracapa que o deixa lindão junto com as folhas decoradas. 

Entretanto, nem tudo são flores e este é o primeiro livro da autora, então alguns erros de principiante são inevitáveis. O primeiro deles é a ambientação em Boston. Apesar de Giulia já ter morado nos EUA e trabalhado na Disney, ela não conseguiu inserir isso perfeitamente no papel. Sem expressões em inglês, sem alusão a costumes norte-americanos, incomodei-me um pouco. O segundo foi a clássica fraqueza feminina e o controle do mocinho sobre a mocinha. Para a feminista que sou, foi o ponto que me deixou mais chateada, pois descobri que ainda utilizam desse tipo de posicionamento. O terceiro foram as reclamações fúteis dos personagens aliadas aos diálogos que por vezes pareceram bastante forçados. O quarto é apenas uma conspiração: achei super parecido com Big Time Rush, não sei exatamente porquê.

[…] não importava quanto as coisas pareciam estar normais, sempre teria mais confusão na vida de alguém envolvido com Boston Boys.
Mas, sinceramente, não gostaria que minha vida fosse de nenhum outro jeito. (Boston Boys 2)

É indiscutível a melhora na escrita de Giulia, principalmente na verossimilhança. No segundo volume, há uma melhor conexão entre passado e futuro, no desenrolar da cena com uma narrativa mais elaborada e clara. Mas nem tudo melhorou, a maturidade dos personagens continua a mesma, o que não deixa de ser incoeso, dadas todas as situações que eles passaram. Mesmo que o livro não seja exatamente para jovens da idade da protagonista, falta um pouco de exemplo de evolução e crescimento. Apesar disso, a autora conseguiu desenvolver o enredo para atar todas as informações em vários nós que encontram-se num desfecho digno de um filme da Disney. Aliás, a insistência de Giulia no modo de vida americano passou a me incomodar mais no segundo livro, mas nem por isso abandonei a leitura. Como já comentei, só faltou um pouco mais de incorporação da cultura americana real ao invés do que sempre vemos na TV.

Afora os defeitos que sempre existirão, pois nenhum livro é perfeito, gostei da escrita da autora. Claro, eu com meus 18 anos não sou o público alvo do romance, mas mesmo assim gostei e me diverti bastante. Espero que Giulia amadureça sua escrita e continue trabalhando. Ela promete!

Título Original: Boston Boys

Autor: Giulia Paim

Páginas: 672 (total)

Editora: Globo Alt