Sou um homem afortunado, pois recebo muito material interessante sobre arte. Até mesmo sobre dança, estilo artístico que admiro, mas sobre o qual sinto-me o mais absoluto leigo, limitando minhas opiniões ao velho e bom impressionismo: “gostei” ou “não gostei”.

Contudo, as pessoas sabem que o mais importante é a ideia que dá ânimo à arte, e um dos assuntos que me encanta – assim como fascinou dezenas de outros artistas – é o espelho. No caso, a minha linha de interesse mais específico é como o espelho é usado para colocar o espectador dentro da obra de arte, trazendo-o para dentro do “crime” por assim dizer, transformand0-lhe em cúmplice e partícipe. Rastreio obras de arte que possuem essa ideia como mote e, se quiserem um exemplo, eis o clássico “As meninas”, do Velázquez:

"As meninas", Velázquez
“As meninas”, Velázquez

Por saberem do meu interesse, acabaram me enviando esse vídeo, chamado de “O Espelho”, uma coreografia de Alexandre Desplat:

Dentro de cada pessoa existem várias pessoas, foi o que escrevi no conto “O homem despedaçado”. Não só aqueles que já fomos ou que um dia seremos, mas também todas as possibilidades que jamais seguimos e todos os sonhos (e pesadelos) que já acalentamos. Cada ser humano é um palimpsesto de muitos outros humanos, e não seria tão surpreendente se, em alguns pedaços, não acabamos nos encontrando e nos transformando em outros.

Avatar de Desconhecido

Publicado por Gustavo

Advogado, escritor e mestre em Letras - mas não nesta ordem. Autor de "O homem despedaçado", livro de contos lançado pela Dublinense em 2011. Ver todos os posts de Gustavo