04

Jan23

Maria do Rosário Pedreira

Já sei que muitos, ao lerem o título deste post, vão obviamente pensar no nosso Fernando, o mais conhecido poeta português (internacionalmente e tudo) e também o mais versátil e, por isso, digno de uma biografia que foi finalista do Pulitzer Prize escrita pela pena do norte-americano Richard Zenith, um grande estudioso da sua obra. Mas, por acaso, o título foi só um trocadilho meu para, no fundo, saudar o facto de o júri do Prémio Pessoa ter brindado na sua mais recente edição justamente um poeta: João Luís Barreto Guimarães. Como é tão raro vermos um poeta contemplado com este prémio (lembro-me de ele ter sido dado aos escritores Mário Cláudio e Frederico Lourenço, mas este último recebeu-o seguramente também pelas importantes traduções que tem realizado das línguas clássicas), devo dizer que o anúncio foi para mim bastante inesperado; e deve tê-lo sido igualmente para imensos jornalistas que, nesse dia, noticiaram o facto, pois não foi um nem dois que lhe chamou «José» Luís, mostrando total desconhecimento do escritor portuense que também é cirurgião e dá aulas de poesia a estudantes de medicina. Mas o querido «João» Luís deve ter ficado suficientemente feliz para não levar a mal, e a sua já extensa obra vai ter em Janeiro mais um livro com o belo título Aberto Todos os Dias. Tem uma linda capa e publica-o a Quetzal. Fiquemos atentos. Não há desculpa para falharmos o Prémio Pessoa.